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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

CHIMANGOS E MARAGATOS - FIM



A Revolução Federalista terminou com a vitória política e militar completa dos Chimangos Republicanos. O poder de Júlio de Castilhos não sofreria mais contestações.

As lideranças maragatas foram duramente perseguidas e, muitos acabaram mortos ou se exilando no Uruguai.

Júlio de Castilhos se manteria no poder até 1898, ano em que abandonou a vida política, tendo o cuidado, entretanto, de assegurar a posse de seu sucessor Borges de Medeiros (foto).

Borges de Medeiros governaria o Estado por trinta anos (até 1928) tendo apenas um pequeno lapso fora do poder entre 1909 e 1913.

Durante o governo de Borges de Medeiros o Rio Grande do Sul se consolidou com 3ª maior oligarquia nacional. Embora nenhum gaúcho chegue à presidência da República (Hermes da Fonseca, nascido em São Gabriel e Presidente entre 1910 e 1914 não representava o grupo gaúcho), o estado era uma espécie de eminência parda no poder, representado por Pinheiro Machado, senador de livre Trânsito no poder.

Apesar da sincronia com o poder federal o estado permaneceu sendo predominantemente positivista, ao contrário do restante do país de características liberais.

Nos anos que se seguiram o Brasil e o Rio Grande do Sul conheceriam mudanças importantes, principalmente a partir da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Nesse período, envolvida em combates, a Europa diminuiria drasticamente sua produção industrial de bens, abrindo espaço para o crescimento industrial em outros pontos da terra. Um desses pontos foi o Brasil.

A indústria que surgiu aqui era uma indústria simples, de bens de consumo (diferentemente da indústria de base da Era Vargas), e em dois estados houve possibilidades reais para o seu crescimento: São Paulo graças ao acúmulo de capital e infraestrutura gerado pelo café e o Rio Grande do Sul, por sua visão positivista favorável a esse tipo de economia.

O estado gaúcho vê surgir as primeiras metalúrgicas (Bertha) e indústrias de bens (Wallig e Renner). Cresce a população urbana composta por operários da indústria e diversifica-se o comércio.

Porém, o Rio Grande do Sul ainda é um estado governado pelos mesmos setores que haviam vencido a Revolução Federalista, representados por Borges de Medeiros. Estes novos estamentos sociais não encontram no velho caudilho, qualquer representatividade. Por isso, irão se apoiar numa figura que representará as novas idéias, os novos tempos.

Essa figura será o veterano político Joaquim Francisco de Assis Brasil e o seu Partido Federalista.

Nas eleições de 1922, as forças que disputariam o governo do estado estavam claramente postadas: de um lado o PRR do eterno Borges de Medeiros e do outro Assis Brasil, representando as novas forças econômicas.

A campanha se desenrolou com extrema violência, sendo os partidários de Assis Brasil perseguidos, agredidos e alguns mortos.

Além de anti-democrática a vitória de Borges de Medeiros provocaria ainda, inúmeras acusações de fraude.

Os tambores da guerra voltaram a ser ouvidos nos Pampas e em todas as estâncias.

Os velhos maragatos iriam colocar novamente o lenço vermelho no pescoço, dando origem a uma segunda Revolução Federalista, a Revolução Assisista de 1923.

A 2ª Revolução Federalista ou Revolução Assisista iria transcorrer durante todo o ano de 1923, findando apenas com a assinatura do Pacto de Pedras Altas em 14 novembro daquele ano (foto).
Por esse pacto, Borges de Medeiros cumpriria seu mandato, mas seria afastado da vida política no final de 1928,
Isso possibilitaria ascensão de Getúlio Vargas como Presidente do Rio Grande do Sul, o que o lançaria, dois anos depois ao poder supremo da Presidência da República como líder da Revolução de 30.
Mas isso, já é outra história.


Prof. Péricles

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