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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

CHIMANGOS E MARAGATOS - OS MITOS



No cemitério de Santa Tecla, aproximadamente a oito quilômetros de Bagé, está enterrado uma das figuras mais conhecidas da Revolução Federalista. Adão Latorre, tenente-coronel do Exército uruguaio e oficial maragato na Revolução Federalista.

Nos tempos de ódio que antecederam a tempestade, muitos crimes foram cometidos devido às velhas rixas.

Uma delas ocorreu quando o Coronel Republicano Manoel Pedroso depois de atear fogo na Estância do Limoeiro degola os pais de Adão Latorre. Com o objetivo de vingar seus pais, Adão Latorre se apresenta como voluntário aos rebeldes maragatos.
Na célebre batalha do Rio Negro, o coronel Pedroso estava entre chimangos feito prisioneiros.

Ao perceber as intenções de execução dos Maragatos, ocorreu segundo João Maria Colares, em “História de Bagé”, o seguinte diálogo:

- Cel. Pedroso: Adão, quanto vale a vida de um homem valente e de bem?
- Adão Latorre: De bem... não sei. A vida de um homem vale muito, a tua não vale nada porque está no fio de minha faca e não há dinheiro que pague.
- Cel. Pedroso: Pois então degola “negro filho da puta”. Dito isso segurou-se a um arbusto, levantando a cabeça para facilitar a tarefa ao inimigo.

Dizem ainda que o Coronel pediu a Adão para que entregasse um anel de seu uso a uma filha residente em Pelotas, segundo informações foi cumprido o feito por Adão Latorre.

Segundo as histórias que se contam á noite, no chiar da chaleira, naquele dia Adão Latorre matou, além do coronel que jurara matar, mais 300 prisioneiros republicanos e no drama da guerra que se seguiria, se tornaria o maior de todos os degoladores. Até seus companheiros se constrangiam com sua presença, dita, maldita e condenada.

Latorre sobreviveu a Revolução Federalista e nos anos seguintes viveria de forma tranqüila e pacata nas terras de seus pais.

Em 1923 ao estourar a segunda revolução Federalista (Revolução Assisista) novamente pegaria em armas, ao lado dos maragatos de Assis Brasil.

Segundo consta, o maior degolador do Rio Grande, então com 80 anos, foi fuzilado numa emboscada armada pelo Major Antero Pedroso, irmão de Manoel Pedroso. Logo depois, seu corpo foi decapitado.

Foi enterrado sem qualquer cerimônia no cemitério de Santa Tecla onde se encontra até hoje, juntamente com seu irmão, o major João Latorre.

Adão Latorre, o maior degolador do Rio Grande do Sul, produto do ódio e dos horrores de uma guerra que banhou o estado de sangue.

Prof. Péricles

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