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terça-feira, 30 de maio de 2017

A DERROCADA DA REPÚBLICA DE CURITIBA



Por Erika Kokay


As “ações controladas” da Operação Lava Jato, de iniciativa da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal, que constituíram provas materiais contra o senador tucano Aécio Neves​ e o presidente ilegítimo Michel ​T​emer, desmascarou de uma vez por todas a parcialidade do juiz Sergio Moro e dos procuradores da “República de Curitiba”.

Não estamos falando de PowerPoint com convicções para ser exibido de forma espetaculosa pela mídia, mas de provas documentais, de amplo e farto material fotográfico, áudios e vídeos, dinheiro rastreado, malas com chips, enfim, todo um processo de investigação sigiloso da Polícia Federal que comprovou esquemas de propina e corrupção envolvendo dois importantes nomes da política nacional.

Desde o início da Lava Jato, Aécio e Temer foram citados dezenas de vezes em depoimentos de réus, delatores e investigados da operação, apareceram em diversos diálogos gravados por operadores de esquemas de corrupção na Petrobras, Furnas, Caixa Econômica Federal, mas nada foi suficiente para que a seccional da Lava Jato de Curitiba tomasse qualquer providência contra eles.

Quem não se lembra das gravações de áudio a envolver o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e o então ministro do Planejamento, Romero Jucá ​ (PMDB-RR)​?

Eles revelaram que o impeachment da presidenta legitimamente eleita, Dilma Rousseff, era parte de uma estratégia para “estancar a sangria” da Lava Jato. Além disso, foram realizadas citações contundente envolvendo Aécio Neves, naquele momento citado cinco vezes na operação. “Quem não conhece o esquema do Aécio?”, pergunta Machado a Jucá. Pelo visto, Moro era o único que não conhecia ou fingia não conhecer tal esquema.

Várias vezes o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ)​ dirigiu perguntas a Temer. A sociedade brasileira sabia que o conteúdo das perguntas tinha o sentido de pressionar e chantagear Temer. Cunha fazia essas perguntas para deixar claro que sabia muito e que seu silêncio era muito valioso. E o que fazia Moro com essas perguntas? Engavetava. Em vez de agir como juiz, Moro atuava como advogado de defesa de Temer, a exemplo de quando impugnou 21 das 41 questões levantadas por Cunha. Moro chegou a cometer o absurdo de dizer que o roteiro das perguntas de Cunha era um “episódio reprovável” e “tentativa de intimidação da Presidência da República”.

Diferente desse joguete de compadres com corruptos do PSDB e do PMDB, Moro não hesitou em fazer da Lava Jato uma trincheira de perseguição jurídica e política contra Lula, Dilma e o PT.

Em todo o tempo, Moro preocupou-se tão somente em fazer o uso político da operação para vazar delações e fazer escutas ilegais e influenciar o cenário político nacional. Em um momento crucial do processo de impeachment contra Dilma, Moro vazou para a Globo diálogos da presidenta com o ex-presidente Lula. Apesar do diálogo não ter absolutamente nada de comprometedor, foi decisivo para o desfecho do processo, tornando-se um episódio emblemático da atuação política persecutória de Moro.

Em vez de investigar, qual era o uso que Moro dava às delações? Com auxílio da mídia, as utilizava de modo ilegal e discricionário a partir do calendário político-partidário. Ora, as delações eram vazadas em momentos em que a população brasileira ia às ruas em atos pró ou contra o impeachment, em véspera de eleições, em momentos-chave da política nacional.

E por que Moro nunca optou por um processo investigatório profundo? Sabia e sabe que se desse um passo para além de delações sem provas inocentaria Lula. Não poderia continuar com o discurso farsesco de que o ex-presidente é o chefe de um esquema criminoso na Petrobras, dono de um tríplex que não lhe pertence, dono de um sítio que não lhe pertence, enfim, com acusações sem lastro comprobatório de que o Instituto Lula teria adquirido um terreno que nunca foi comprado. Um processo investigatório sério que buscasse provas, certamente inocentaria Lula, o que não interessa e nunca interessou à “República de Curitiba” e àqueles que tramaram um golpe contra a democracia.

A ação da PGR e do STF deixa clara a parcialidade de Moro, a conveniência de suas ações ao sabor da conjuntura política, não tendo em nenhum momento a responsabilidade que o P​oder Judiciário exige de investigar os fatos e elucidar os supostos crimes denunciados.

E o que faz o juiz de Curitiba após as avassaladoras provas contra Temer e Aécio? Tenta de modo desavergonhado manter uma narrativa furada de que “não havia, na época da decisão, qualquer notícia do envolvimento de Temer nos crimes que constituem o objeto daquela ação penal”.

Definitivamente, Moro foi desmascarado. A casa da Lava Jato de Curitiba caiu.



Erika Kokay é deputada federal e presidenta do PT-DF​.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

DESABAFO


O desabafo é um direito inviolável de todo aquele que está na frente de luta pela cidadania e que, do seu jeito, do mais humilde que seja, acompanha essa insana situação política do país.


Dito isso, queiram entender as palavras abaixo justamente como isso, um desabafo, sem pretenções sociológicas, que apenas anseia por criar vida através das letras já que, preso ao peito parece fazer uma pressão cada vez mais insuportável.

É cada vez mais difícil entender certas posições e argumentos ou falta deles.


Por exemplo, como entender pessoas da geração que acompanhou as tramoias para eleger Collor e depois viu ao vivo e a cores as consequências nefastas do neoliberalismo na vida das pessoas, possa apoiar partidos que pregam justamente, o neoliberalismo, o extremo-mercado, inclusive com diminuição das garantias de trabalho e de previdência?


E os colegas funcionários públicos, cujos contracheques permaneceram com valores congelados, inclusive nos centavos, durante os 8 anos de governo FHC, sendo rotulados como inúteis e incentivados ao "pede pra sair" pelos pdvs, apoiarem Aécio Neves nas últimas eleições presidenciais ou qualquer outro neoliberal na vida pública?


Será amnésia ou (teoria da conspiração) um misterioso programa que comanda as mentes das criaturas?


Como se conformar em viver num país em que um só grupo de comunicação detém o monopólio da informação, quando a pluralidade das opiniões é sagrada à democracia? Não ter como popularizar sua versão dos fatos é como estar amordaçado, sem poder gritar diante das informações premeditadamente deturpadas.


E como aceitar que amigos e companheiros espíritas, que estudam com afinco a Doutrina que se propala como o cristianismo redivivo, isso é, a doutrina que busca ser o cristianismo em essência, baseado no amor ao próximo, sejam, de alguma forma, contrários a governos que promovam políticas sociais de diminuição das desigualdades e de combate à fome e à extrema miséria? E pior, que apoiem forças sabidamente contrárias a esses programas?


Como aceitar que companheiros que leem que uma das necessidades da reencarnação seja que, os espíritos, as pessoas, contribuam com a obra da criação, evidentemente participando da criação de um mundo melhor e menos desigual, regozijem-se com atos e políticos fascistas que pregam a homofobia, o racismo, o machismo?


Afinal de contas como entender quem propala a fraternidade apenas na teoria, mas se distancia dela na prática?


Da mesma forma, como admitir que pessoas inteligentes, bem informadas, acreditem na neutralidade de um juiz que aparece em foto aos sorrisos e abraços com gente sabidamente suspeita de ilícitos e que devem ser julgadas por ele mesmo? Que absolva amigos e ameace os inimigos? Juiz não deve ser imparcial?


A cegueira das pessoas que afirmam não enxergar perseguição ao Lula é real ou fictícia? Se fictícia é proposital ou construída pela alienação?


Será que essas pessoas bem-intencionadas que pensam que realmente o que está acontecendo é uma luta contra a corrupção, não perceberam ainda que ajudaram com seu silêncio ou com suas panelas a derrubar um governo com problemas sim, mas honesto, em detrimento de grupos historicamente comprometidos com o lado negro da força?


Incompreensível como habitantes da senzala submetam-se aos interesses da Casa Grande.


Será que vale à pena tanto ódio traduzido no “anti”? É possível que não se perceba que o ódio cega e emburrece?


Será real que não perceberam ainda que graças a eles a Farmácia Popular está em seus últimos dias, a Bolsa Família esteja menor e condenada assim como o SUS e que O Mais Médicos tenha seus dias contados? E não entendam o que isso significa na vida de milhões de pessoas?


Como entender isso? Como aceitar essas coisas sem uma enorme dor na alma?


Talvez nem tenha direito à tantas perguntas e ninguém irá me responder mesmo. Mas, com toda certeza, ao dobrar minhas utopias diante das horas e face aos sonhos acalentados por tanto tempo e agora espedaçados, concluo que, como criança diante da mais complexa das máquinas, eu não entenda mais nada.


Por favor, desculpem o desabafo.



Prof. Péricles



sábado, 27 de maio de 2017

JUIZ BRASILEIRO


Por Maria Fernanda Arruda


Nos moldes norte-americanos, a auto proclamada força tarefa ao nomear suas incursões, o faz para dar impressão à sociedade que está dando correção de rumos à vida política ou empresarial. Tendo o país infinitas camadas miseráveis, acalentou seu sonho de ter desculpas de que sua miserabilidade iria acabar, ou aos mais lúcidos seria uma vingança contra os ricos a que sempre invejaram.

Assim, com colaboração da infame mídia o juiz de formação norte-americana iniciou sua campanha política para balançar a vida econômica do país com essa máscara de moralidade. Mesmo ficando caricata sua expressão “isso não vem ao caso” que passou a usar sempre que lhe cobravam equidade. Mostrou também que era do PSDB e ninguém iria mudar seu rumo. Com ajuda de um procurador investidor imobiliário que explora o programa Nossa vida-Nossa Casa para ter futuro risonho, passou a moldar nova concepção para a figura juiz.

Com colaboração de desembargadores que deveriam ser seus freios, passou a ter direito a ser excepcional e fazer o que quisesse acima da lei. Bem …se antes existia juiz verdadeiro, agora se moldava ‘juiz brasileiro”! Isto é: um juiz que não é só passageiro, mas se faz as vezes de cobrador e motorista. Em vez de julgar a causa, escolhe um autor, ainda que sem causa, para se mostrar seletivo e cumpridor de ordens da CIA. Iniciou sua saga apelidando sua vítima principal de ‘Nine’ em galhofa digna de magistrado que se diverte como se fosse juiz de briga de galos e “quisesse” ver sangue e sofrimento.

Assim foi moldado o juiz brasileiro – o que recebe acima do salário legal mediante penduricalho e jeitinhos que decorrem de viagens ou diárias. Mas o principal foi oficializar o conluio pelo qual não mais haveria independência de polícia investigativa : ele queria que ‘plantassem’ contrato em invasão de domicilio de seu perseguido e o fez com tanta sofreguidão que nem lembrou que contratos tem de ter assinatura…

Se para esse ‘plantio’ tivesse que arrombar porta sob holofotes de tv,melhor ainda. E ainda deu liberdade para que policiais se apossassem de celulares ou tabletes das crianças da casa. Como quem diz no amor e no ódio vale tudo. Se, para dar conta de sua missão fizesse os estragos inconcebíveis de quebrar empresas e empregos e dar bloqueio econômico e de progresso ao país …isso faz parte! O que vale é que tem respaldo confirmado com as medalhas dos fardadinhos todos do país que seguem o figurino de 64 sem alterações.

Juiz brasileiro agora é assim, para que provas se eu que escolho o autor? Se necessárias delações para inglês ver, posso prender quantas dezenas de delatores já que minuta para que façam essas delações já tem prontas nas gavetas do Forum. Qualquer dúvida pega o avião para os EUA e voltará com ordem para ser obedecido em toda linha do poder judiciário e do executivo e demais, se houver.

O ministério público passa a ser auxiliar e nem precisa falar já que ele mesmo acusa. Juiz eclético que conclui sem verificação de nada e nem de seguimento à lei. Quem tem os EUA ao seu lado, por que ficar ligado a essas bobagens… se até o golpe do pré-sal se deu inicio?

O resto é apenas continuação.


Maria Fernanda Arruda é escritora e colunista do Correio do Brasil

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O PECADO DE ALIANÇAS COM O INIMIGO


A realidade histórica que nossa esquerda política parece não ter compreendido até hoje é a da luta de classes.

Não se trata necessariamente de um confronto físico, como imaginam fascistas ignorantes, mas de um confronto de posições políticas, econômicas e ideológicas. Há um antagonismo inexorável entre aqueles que se apropriam da riqueza social e aqueles que a produzem e padecem sob a tutela violenta dos apropriadores, ou, formulado de forma mais simples, entre os parasitas do capital e os expropriados do produto de sua força de trabalho.

É escandaloso que, enquanto a maioria das brasileiras e dos brasileiros vive com salário mínimo ou até menos, devendo com ele cobrir suas despesas de habitação, vestuário, alimentação e educação dos filhos, uma minoria abastada não se contenta com seus polpudos ganhos do estado e exigem mesadas empresariais de 50, 500 mil ou até milhões, para garantir vantagens indevidas aos contratados em obras e serviços para a administração.


É preciso colocar a mão na cabeça e perguntar-se: que diabos alguém faz com uma mesada dessas??? Para quê tanto dinheiro? Para comprar SUVs, viver em apartamentos de luxo, frequentar jantares e coquetéis em ambientes para poucos e comprar roupas de custo imoral?


Enquanto isso, nossos irmãos lascados se abrigam em barracos e barracões, de lona, de madeira, de alvenaria e latão, submetidos a todas intempéries possíveis, expostos a ratos, lacraias, baratas, escorpiões e a uma polícia violenta que em nada perde para os bandidos em crueldade. Captam água sem tratamento, convivem com esgoto a céu aberto e acessam a energia elétrica por gambiarras. Vestem-se com roupas velhas doadas ou mais novas, compradas em brechós. São obrigados a sair de madrugada de casa para se espremerem em condução publica cara e de péssima qualidade para chegar ao trabalho, onde abaixam a cabeça para não perder o emprego e comem de suas matulas simples esquentadas, quando possível, num microondas ou frias mesmo, quando o empregador não o disponibiliza. Chegam em casa à noite, fugindo dos assaltos e, esgotados, ainda cuidam de seus filhos e de suas filhas.


E nossa esquerda política, dizendo defender os desapropriados, não consegue, em nome de uma tal "governabilidade", deixar de parlamentar com os apropriadores aos sorrisos, fazendo-lhes concessões em troca de migalhas de poder. Migalhas, diga-se de passagem, até bem-vindas, porque permitem um mínimo de ação inclusiva e redistributiva. Mas são migalhas, nada mais do que migalhas, se comparadas com a capacidade da apropriação criminosa do patrimônio público e social.


Compreender a luta de classes implica não aceitar arranjos de poder em detrimento do esforço de empoderamento da classe trabalhadora e dos excluídos. É não aceitar conchavos espúrios com o inimigo de classe. Acertos táticos eventuais com setores reacionários são possíveis apenas quando não agravam o desequilíbrio de forças no enfrentamento da profunda iniquidade.


Os atores progressistas foram alvo de um ataque vil coordenado por políticos golpistas inescrupulosos, com apoio das instituições judiciais e parajudiciais e da mídia comercial. Seu objetivo é o completo aniquilamento do frágil estado social brasileiro, piorando as condições de vida de milhões de trabalhadores e excluídos.


Quaisquer alianças que preservem os interesses e objetivos dos usurpadores da soberania popular são incompatíveis com o projeto de um Brasil inclusivo e são por isso inaceitáveis para quem padece da profunda desigualdade econômica e política.


Fala-se que os partidos parceiros do golpe, PMDB e PSDB, afundados na lama das megapropinas, procuram "uma solução" para a crise em que enfiaram o País com auxílio da mídia e das agências persecutórias. Qual a solução? Desfazer o golpe? Reinstituir a presidenta eleita arrebatada covardemente por quem lhe devia lealdade de vice? Devolver o poder à soberania popular, para que escolha o caminho a seguir?


Não, nada disso. Isso seria coisa de esquerdista. Querem aprofundar a agenda do golpe e, de preferência, com apoio do PT.


Como assim? Os partidos do golpe estariam tentando convencer Temer a largar o osso o mais rapidamente possível, com garantias de leniência na persecução penal, para que possam manter o rumo das "reformas" com um sucessor escolhido por suas bancadas de trombadinhas entre pessoas que não têm nenhum compromisso com os interesses da maioria dos brasileiros. E, segundo avaliação dos golpistas, não poderiam perder tempo, pois, do contrário, impor-se-ia, na contramão de seus planos anti-povo, a vontade das ruas.


Vencida a hipocrisia, reina, agora, o cinismo absoluto. É evidente que esse Congresso contaminado por práticas corruptas na sustentação de um governo golpista ilegítimo não tem condições de escolher o futuro Presidente da República sem contaminar, também, seu governo com sua extorsão criminosa de vantagens materiais. Só a soberania popular manifestada em eleições diretas e livres poderá restaurar a democracia e permitir a afirmação dos interesses da maioria das brasileiras e dos brasileiros.


Acordos com as forças da reação e do golpe só podem ser estabelecidos dentro desse objetivo: a realização imediata de novas eleições. Nada menos. Nossa preocupação é precisamente impedir a aprovação de medidas anti-povo. Só o restabelecimento de um governo legítimo conseguirá barrar as articulações espúrias no Congresso. Exigimos respeito!


Enquanto em Brasília o MPF leva à frente, sempre com métodos controvertidos, o desbaratamento de quadrilhas no poder político, em Curitiba permanece a intenção de destruir as lideranças de esquerda e, mais precisamente, do PT.


A burguesia sabe cumprir seu papel. A destruição da política como um todo é a afirmação absoluta do poder econômico e do poder burocrático subserviente àquele.


Na luta de classes, temos que combater isso com toda nossa energia. E, para tanto, não é bom confiar no ministério público, na polícia e no judiciário, instituições que fizeram papel sujo no golpe dos corruptos; instituições que não passam de instrumentos dos apropriadores criminosos, a quem sempre trataram com leniência que contrasta com a severidade do julgamento público e escandaloso do PT e da esquerda.


Se hoje essas instituições não têm outra opção que a de se afirmarem no combate às forças corruptas, isso se dá porque foram atropeladas pelos fatos. Não o fazem, porém, para promover justiça social e preservar direitos dos mais fracos. Fazem-no privilegiando bandidos aquinhoados, dando-lhes imunidade judicial porque expuseram seus comparsas. E ainda acham que isso é um prêmio às brasileiras e aos brasileiros.

É importante não nos iludirmos. A saída eventual de Temer não altera nada na correlação de forças. Os golpistas mudam de cara mas não de tática e nem de estratégia. As forças progressistas continuam a ser alvos de um ataque destrutivo, com campanha de desmoralização midiática e com perseguição implacável. E, nesse contexto, não pode haver concessão nenhuma.


A luta de classes não desaparece num passo de mágica, num apelo demagógico à união de todos as brasileiras e e todos os brasileiros. Aceitar esse apelo é aceitar a aliança entre estuprador e estuprada. Precisam reconhecer o golpe que deram e reconhecer como força política legítima os vencedores das eleições de 2014 e, só depois, conversaremos sobre acertos pontuais táticos que permitam o avanço de nossa luta.


Com inimigos de classe, só se negocia entre a capitulação deles e a vitória de trabalhadores e excluídos.



Por Eugênio Aragão





quarta-feira, 24 de maio de 2017

BRASIL PROJAC


Há 21 anos, no dia 2 de outubro de 1995 a Rede Globo, depois de 15 anos entre projetos e construção, inaugurava o Projac (Projeto Jacarepaguá), hoje em dia conhecido como “Estúdios Globo”.

Lembrando os grandes estúdios norte-americanos dos anos 40/50, quando inaugurado, o Projac era o maior núcleo televisivo da América Latina, o Maior Estúdio, ou múltiplo estúdio de produções de sua área (atualmente perde apenas para os estúdios da TV Azteca, do México, inaugurados em 2012).

Os mais antigos, que assistiram novelas globais de décadas anteriores, devem lembrar que as tramas se passavam em cenários acanhados, reduzidos, a tal ponto que pouco se diferenciava a mansão da casa humilde, pelo menos, em tamanho.

Hoje em dia a Globo lembra produções hollywoodyanas, com espaços generosos de gravação.

A TV Globo que faz parte das organizações Globo (rádio, jornal e outros veículos) nasceu, cresceu, floresceu, ficou rica e monopolizou o mercado sob os auspícios da ditadura militar.

Seu passado, portanto, está intimamente ligado com o período mais negro de arbítrio de nossa história, e nem ela esconde isso, tendo até pedido desculpas a seus espectadores.

Mas o problema da Globo não é seu passado. O passado pode e deve ser resgatado, mas não alterado.

O problema, maior do Brasil, é seu presente e seu futuro real em contraste com o imaginado pela Globo.

Acostumada a criar personagens inesquecíveis e grandes obras de ficção, como um cientista louco que se confunde com sua própria criação, algumas pessoas dessa organização talvez misture a realidade nacional com algum tipo de roteiro escrito em seus bastidores.

De certa forma, é como se imaginasse o Brasil inteiro um grande projac que pode ser adaptado aos seus interesses, e a história só vale se contada de seu jeito.

Assim um ex-presidente tem que ser corrupto mesmo que não exista prova nenhuma contra ele. A presidenta eleita deve ser apeada do poder e as reformas que desagradam a imensa maioria dos brasileiros devem ser aprovadas.

Como se o Brasil inteiro trabalhasse nesse projac, a Globo pensa que pode demitir presidentes, procuradores, ministros e a todos em geral, como se seus trabalhadores fossem.

Só que não.

O Brasil precisa reagir e o povo brasileiro escrever seu próprio roteiro onde os meios de comunicação, necessários à democracia, não ameacem a própria democracia.

Uma das poucas coisas muito claras em todo esse drama que o país vive é que, do jeito que a Globo funciona e com seu imenso poder de criar realidades, a democracia brasileira jamais sobreviverá há alguns capítulos entre um golpe e outro.

A Globo é uma concessão do governo brasileiro e não o contrário, o governo uma concessão da Globo.

O Brasil não cabe no Projac, ele é muito maior.




Prof. Péricles

terça-feira, 23 de maio de 2017

O DESESPERO DA GLOBO



O editorial de O Globo pedindo a renúncia de Temer, é demonstração de fraqueza e desespero.


A Globo nunca precisou manifestar por escrito suas posições para mover os cordões do poder. Dessa vez, deixou o roteiro – por escrito!


Está claro que família Marinho, alinhada ao Partido da Justiça, deseja a rápida substituição de Temer por um governo “técnico” – que conclua as “reformas” e dê sustentação para a Lava-Jato concluir sua tarefa principal: impedir Lula de ser candidato.


A Globo deseja “limpar” o golpe. Temer no poder cria uma dissonância: se Dilma foi afastada em nome da moralidade (grande mentira, sabemos), como se explica que uma gangue esteja hoje no controle do país?


A Globo nunca quis moralidade. O grande projeto é desregulamentar o mercado de trabalho, tirar direitos sociais e abrir o Brasil para investimento estrangeiro. De quebra, a família Marinho poderia passar a empresa nos cobres, desde que a Lei de Telecomunicações seja alterada e a TV possa assim ser vendida a algum investidor estrangeiro.


Temer servia como operador dessa agenda – que foi rejeitada nas urnas. E por isso trata-se de um golpe! A vontade majoritária foi desprezada, e o programa derrotado 4 vezes no voto estava sendo implantado na marra.


Mas o timing da PF e da JBS acelerou as contradições, expondo de forma dramática a desagregação do bloco que deu o golpe. Numa linguagem mais “sociológica”, poderíamos dizer que desde 2013 o Brasil vive uma ampla “crise de hegemonia”. O bloco sob o qual Lula e Dilma governavam rachou, mas um novo bloco não conseguiu ainda impor sua hegemonia de forma desorganizada. É como se a disputa seguisse indefinida, agravando a crise e abrindo possibilidades para todo tipo de saída.


E aí entramos no segundo eixo desse texto: o desespero. O tempo corre agora contra a Globo.


A Globo tem pressa. E se desespera. Porque as reformas já pararam. Se o único caminho para tirar Temer for o TSE, isso pode levar dois a três meses! Até lá, o clima nas ruas vai ferver. E a possibilidade de aprovar as reformas se evapora se tudo não estiver resolvido até agosto ou setembro…


Fora isso, a crise expõe mais e mais contradições. Agora Gilmar Mendes também aparece nas delações e pode ser submetido a impeachment, já que tramava com Aécio formas de influenciar votos no Senado.


Temer decidiu ficar, e expõe assim as contradições dos dois grupos golpistas: de um lado, a direita política, de outro o Partido da Justiça. O que unia os dois era derrubar Dilma e aplicar a agenda ultra-liberal.


Acontece que Temer, mais do que qualquer agenda, defende a sobrevivência dele mesmo e da gangue que o cerca.


A Globo ajudou a instalar no poder um grupo que vai permanecer ali o quanto puder, para garantir o foro privilegiado.


Seria fundamental, para a gangue midiática, instalar rapidamente um governo eleito indiretamente, para completar a destruição de direitos e acabar de abrir o país – inclusive parta investimentos estrangeiros nas comunicações. Mas no poder há outra gangue. Que vai usar todas as armas para resistir.


É curioso ver o editorial da Família Marinho invocar os interesses “dos cidadãos de bem”. Onde estavam esses “cidadãos de bem” quando a ditadura matava e torturava com apoio da Globo? Ou quando Collor arruinava o país com beneplácito da família Marinho? E quando FHC comprava a reeleição? Ou quando as empreiteiras e conglomerados privados enchiam as burras dos tucanos?


A Globo descobriu os cidadãos de bem recentemente?


Por isso, tenho aqui invocado a velha fórmula de Brizola: se a Globo está de um lado, fiquemos do outro!


Claro, não estou dizendo que devemos defender a gangue temerária. Mas apontando para duas questões: a esquerda e os movimentos populares vão servir de massa de manobra para derrubar Temer, e na sequência ver a Globo instalar Carmen Lúcia/Meireles/Armínio Fraga no poder?


Para o campo popular, o melhor que pode acontecer é Temer ficar, expondo as contradições da direita liberal, esgarçando o tecido golpista. Que seja longa a agonia do governo golpista, expondo as vísceras do falso moralismo e dos tais “cidadãos de bem”.


Deixemos o “Fora, Temer” para os editoriais da Globo. Quem pariu mateus que o embale. A palavra de ordem do lado de cá já não é “Fora, Temer”. Mas “Diretas-Já” e “Parem as Reformas”.


Vamos para rua pedir que o povo decida qual programa será implantado no Brasil. Ou seja, lutamos pela Democracia e contra o desmonte do Estado Nacional.


Enquanto isso, podemos até nos divertir um pouco com o desespero da Globo. E dizer: “Temer, resista!”



Por Rodrigo Vianna

domingo, 21 de maio de 2017

AO CONTRÁRIO


Luciano Huck e João Dória correram pra retirar fotos e postagens com Aécio.


Quem votou em Aécio está quieto, não assume o voto e a coxalhada covarde só diz que " é tudo farinha do mesmo saco". Um clichêzinho decorado e oportunista que os isenta de responsabilidade, tentando tirar o corpo fora.

Não se encontra um só post de apoio ao Aécio, o candidato a quem os coxas queriam entregar a presidência de seu país.


Tucanos congressistas já cogitam abandonar o Temer, negociam o apoio ao governo a peso de ouro 24k e não se rebelaram contra as acusações ao Aécio.


Quanta diferença...


Ao primeiro sinal de perigo de tirarem Dilma, a esquerda e, principalmente os Petralhas, postaram fotos, textos, rechitegs de apoio à Presidenta Legítima, e uma tsunami de lealdade, indignação e revolta invadiu o Face por mais de 1 ano assim como o Twitter, blogs e sites.


Depois do golpe, Petralhas NÃO RETIRARAM FOTOS, ao contrário, postaram mais e mais e mais. Chegaram a ponto de trocarem suas fotos de perfil para a foto da presidenta eleita.


Quando, como Aécio, Lula foi acusado, nenhum Petralha se calou, ao contrário, um clamor de revolta se levantou do Face e invadiu o Brasil. PETRALHAS não fugiram, não se esconderam, ao contrário, encararam juízes, MP, PF, e, no ápice da lealdade, trouxeram a briga para si, compraram a briga como SUA briga , todos foram "os acusados" com o "#MexeuComLulaMexeuComigo".


Deputados e senadores de esquerda não abandonaram Dilma na hora do perigo, muito menos ao ver que o Golpe ia ser inevitavelmente consumado, ao contrário, seus discursos emocionados e emocionantes repetiam o irrestrito apoio à Presidenta.


Quanta diferença....


Leais, combativos, lúcidos, coerentes, corajosos, assim são os petistas - que não recebem um só tostão pra lutar pelo PT, o fazem por ideologia, o fazem por firmeza de caráter, por serem de uma essência nobre, impossível de apagar.


Caráter é coisa que não dá pra negar. Petralhas têm caráter.


Ao contrário dos coxas, fascistas e da direitalha covarde, petralhas não temem o confronto e nunca abandonam o barco que está afundando, ao contrário, permanecem no barco tentando salvar as pessoas, lutando e se arriscando, não por si, mas pelo próximo.


Para um Petralha , é IMPOSSÍVEL não ser e agir assim. É Caráter, é Amor, é Convicção, é ser adulto em suas escolhas. É saber o que se é, se diz, se faz...


Quanta diferença....


Quanta diferença, e vejo mais claramente agora, dos tucanos e da coxalhada brasileira...


A exata diferença que existe entre ratos &


Entendo agora o ódio, a PTfobia insana dos coxas: é INVEJA dos ratos que nem sabem que são ratos. Mas não têm como negar sua essência desprezível de ratos. Coxas e Tucanos, vergonha alheia por vocês.



#OrgulhoDosMeusPetralhas #AmoVcs



(Por Denise Rohloff aos amigos)

sábado, 20 de maio de 2017

GLOBO QUER CARMEN LÚCIA

Não existem coincidências na Lava-Jato. Ainda mais quando a Globo está envolvida. Foi um jornalista do jornal da família Marinho o escolhido para vazar a delação bombástica da JBS – que deveria fazer Temer sair algemado do Palácio, levando também à cadeia o homem que iniciou o processo golpista: Aécio Neves.


Temer e Aécio aparecem nas gravações usando linguagem de gângster para obstruir investigação. Se a Globo queria prender a Dilma por causa de um e-mail falso, o Aécio merece o quê? Cadeira elétrica?


O vazamento veio do STF; ao ser noticiado pela pena amiga da Globo, emitiu-se um claro sinal ao Palácio: o principal sustentáculo do governo Temer decidiu retirar seu apoio. A família Marinho e seus colunistas/capatazes já movem as peças em outra direção.


Semana passada, eu escrevi que havia sinais claros de que o governo golpista se esgotava, e que a presidenta do STF, Carmen Lúcia, realizava reuniões reservadas com banqueiros, grandes empresários e o diretor-geral da Globo.


Retomo agora o que escrevi naquele dia:


- em 1964, deu-se o golpe em nome da moralidade; e o poder ficou com um general “limpo” – Castelo Branco;

- em 2016, deu-se o golpe também em nome da moralidade; e o poder ficou com Michel Temer e seu garotos podres.


A figura nefasta de Temer cria dissonância; o golpe precisa urgentemente limpar sua imagem.


Por isso, a Globo abandonou o campo da direita política (Aécio, Temer, Serra et caterva). E apostou todas suas fichas na anti-política capitaneada por Moro e Janot.


Chama muita atenção que o diretor-geral da Globo e outros 12 empresários peso-pesados (do Itaú às Lojas Marisa) tenham se reunido em caráter “reservado” com a presidenta do STF, Carmen Lúcia (clique aqui para saber mais).


Quando a reunião com Carmen Lúcia ocorreu, a delação da JBS já havia sido concluída (mas ainda não revelada). Já se sabia que Temer e Aécio estavam mortos. A Globo já costurava uma alternativa.


A saída Carmen Lúcia depende de alguns fatores… Temer caindo, segundo a Constituição, deveriam assumir (pela ordem): Rodrigo Maia (presidente da Câmara), Eunicio de Oliveira (presidente do Senado) ou Carmen Lúcia (presidente do STF).


Os dois primeiros são investigados pela Lava-Jato. O Supremo já construiu entendimento de que réus em processos criminais não podem assumir o poder. Ou seja: se o STF transformar Eunicio e Maia em réus, estaria aberto o caminho para um governo sob o comando de Carmen Lúcia.


De toda forma, qualquer dos 3 que assuma deveria convocar eleições (indiretas, diz a Constituição). Nesse caso, Carmen Lúcia passaria a ser um nome que, já na presidência interina e com apoio da burguesia e da Globo, poderia ser escolhido pelo Congresso para governar até 2018.


Seria o nome dos sonhos da Globo para comandar um governo “técnico”, sob a chancela de Meirelles, sem “políticos”. Um governo “limpo”, que desse apoio pra Lava-Jato concluir sua tarefa: impedir Lula de concorrer na eleição de 2018.


Percebam a força disso: se os tempos são de “limpeza” e de excomungar a política, cairia perfeitamente o nome de uma juíza discreta para comandar o país e terminar de aprovar as reformas ultra-liberais que pretendem destruir direitos trabalhistas e aposentadorias.


Só que falta combinar com os russos.


A bomba da JBS (e cá entre nós: Lula deve estar rindo à toa ao ver os dois “malandros” – Temer e Aécio – gravados e delatados) abre uma avenida pro campo popular virar o jogo.


Nas ruas, os setores organizados têm tudo agora para encurralar a direita, exigir que as “reformas” sejam paralisadas, e que o país vá às urnas ainda em 2017 escolher o novo mandatário.


Contra o projeto Carmen Lúcia, puxado pela Globo, vamos exigir Diretas-Já, obrigando a Globo a tirar o véu e se mostrar inteirinha como golpista e anti-popular.


O argumento dos comentaristas globais é de que as Diretas “não estão na Constituição”. Isso não engana nem uma criança, Merval. Os seus amigos da embaixada americana vão lhe dizer que esse caminho não vai dar certo, Merval…


Afinal, se o Congresso pode votar PEC pra mudar aposentadoria, também pode (e deve) aprovar em regime de urgência uma PEC para Diretas-já.


É hora, portanto, de enfrentar a Globo (operadora do golpismo) nas ruas, nas redes e na tribuna do Congresso.


Diretas-Já!


Fora Temer!


Fora Globo!



Por Rodrigo Vianna

sexta-feira, 19 de maio de 2017

MOSCAS MORTAS


Para tirar o PT do governo, derrubando Dilma, e, principalmente, alvejando de morte a figura política de Lula, os golpistas foram obrigados a entrar em terreno movediço e pouco seguro.


Chutar o balde acarretaria perigos imensos contra eles mesmos já que, nevegam nas águas da corrupção desde que chegaram ao poder, isso é, sempre.


Poderia haver fogo amigo, eles sabiam, mas, jamais poderiam imaginar que seria tão difícil encontrar algo que possibilitasse a queda de Lula e que, por isso, a viagem pelos pântanos demorasse tanto. Nunca poderiam supor que quebrando sigilo bancário e telefônico de Lula e toda sua família até a décima geração, não fossem encontrar alguma coisa mais palpável para acabar com o desafeto barbudo.


Assim, tiveram que penetrar em terreno minado cada vez mais.


Por óbvio isso seria fatal pra muita gente amiga. E foi. Caíram o Presidente da Câmara, ministros, políticos tradicionais e empresários e empresas.


Na busca de destruir o inimigo os golpistas já fizeram mais baixas entre gente aliada do que qualquer um poderia supor.


O problema maior é que, para executar o assassinato político do ex-presidente, foram obrigados a usar armas que, com facilidade pode se voltar contra si mesmos: a mídia e a Lei, não que as armas sejam tão corretas que possam surpreender os que as usam, mas porque são de outra origem, não são do ramo “negociatas políticas tradicionais” e a pouca experiência virou tragédia.


O fogo que consome a alma política do atual presidente não foi fruto da imparcialidade, mas, consequência das múltiplas variáveis de se mexer com o imponderável.


Embora a mídia use expressões que tentam continuar atingindo Lula (repetir ao público que o que atingiu Temer foi uma delação é uma forma de tonificar as delações contra Lula, esquecendo que contra Temer as delações são acompanhadas de sólidas provas e contra Lula não) o estrago já está feito.


Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra e poderíamos acrescentar que, toda generalização também.


No desespero de atingir a esquerda, se generalizou a ideia de que todo aquele que chega ao poder é corrupto, e isso, além de injusto é uma burrice, pois os golpistas perderam o poder de restringir o território de ação da Polícia e o salve-se quem puder assumiu a agenda dos que investigam.


Não fosse o Brasil composto por um dos povos mais passivos do mundo e todo o plano já estaria irremediavelmente perdido.


Fosse em algum lugar onde o povo assume o protagonismo, o presidente já teria sido escurraçado como junto com seus pelegos.


A sorte dos golpistas, é que governam moscas mortas.





Prof. Péricles

quarta-feira, 17 de maio de 2017

BAIONETAS



A baioneta era uma arma letal. Espécie de punhal ou sabre que se encaixava no bocal do fuzil tornando-se uma espécie de lança.


Foi muito usada na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e também, muito temida, pois produzia ferimentos capazes de provocar uma morte lenta e dolorosa, tão dolorosa que, um acordo extraoficial entre as partes envolvidas na guerra baniu seu uso nos campos de batalha.


Mesmo envolvidos no mais sangrento conflito militar, a angustiosa imagem de soldados agarrados às vísceras totalmente expostas, com dores lacinantes (anestésicos eram raros) e morrendo aos poucos de hemorragia forçou um acordo não assinado.


Normalmente até nas guerras há espaço para algum tipo de ética e é possível valorizar o que seja moral mesmo no terror.


No Brasil, faz algum tempo que se assiste a uma verdadeira guerra. Não uma guerra no sentido bélico da palavra. Não há tiros nem batalhas, mas é uma guerra igualmente sórdida decretada por forças políticas e econômicas cujo objetivo é recuperar o poder do qual foram afastados em 2003.


Como em toda guerra a primeira vítima é a verdade, só que, essa guerra em especial, tem demonstrando uma sanha assassina de verdades que assusta a qualquer um que a examine de forma um pouco mais atenta.


Verdadeiros bombardeiros acusatórios estão sendo usadas e produzindo vítimas que sucumbem após violentas dores, não exatamente físicas, de vísceras expostas, mas da honra e da credibilidade.


Não existem convenções, nem ética, nem moral. Vale tudo, até mesmo vilipendiar a memória de pessoas recentemente falecidas.


A exposição do nome da esposa do ex-presidente é um golpe de baioneta dos mais pérfidos e rasteiros.


Acreditando ter o apoio da massa fácil de ser manipulada pela propaganda e ainda, ter o controle dos meios judiciais, um exército de fazer inveja a Átila, exercita sem o menor pudor sua capacidade de criar fatos e “verdades”.


Não são o flagelo de Deus como se dizia do líder dos Hunos, mas o flagelo do que se entende por ética.


Nessa guerra cuja maior vítima é o próprio país, humilhado lá fora e mergulhado numa crise cada vez maior, literalmente, vale tudo para atingir o líder maior “do inimigo”, independente do que seja ou não verdadeiro.


Ninguém poderia imaginar que as baionetas da perversidade, dos tipos e dos teclados, dos meios lícitos, ilícitos e eletrônicos pudessem produzir dores tão atrozes quanto as baionetas de metal.


Alguém deveria ceder ao bom senso e estipular limites à loucura, ou vamos todos marchar para a nossa batalha final, que, talvez, já tenha até mesmo sido perdida.



Prof. Péricles

domingo, 14 de maio de 2017

DIA DAS MÃES


O homem é um ser gregário. Um animal social.

Por instinto se uniu e só por isso sobreviveu aos tempos mais primitivos onde tanto era caçador como a própria caça.

Além do instinto carrega consigo o milagre da inteligência cuja capacidade se aprimorou à medida que evoluiu no tempo e no espaço.

Mesmo com o desenvolvimento em todos os aspectos o sentido gregário sempre esteve presente e no seu núcleo, a família como forma necessária e fundamental para a própria sobrevivência.

Enquanto o homem criava sociedades cada vez mais evoluídas e também mais injustas, o núcleo, a família, sobreviveu sendo a mais justa das organizações.

Ao longo da história da civilização a mãe foi a figura brilhante de todos os tempos sendo o fator máximo de união e de estabilidade emocional, capaz de manter vivos, sentimentos primordiais como solidariedade, justiça e amor.

Porém, não existirá jamais uma sociedade mais justa e fraterna que não passe pelo crivo do olhar da mãe.

Por isso o Blog deseja emanar um grande abraço espiritual a todas as mães, em especial, as mães de pensamentos e ações de esquerda, que sempre incentivaram primordialmente o sentido de liberdade e fraternidade nos seus filhos.

Nenhuma revolução humana teria existido sem o exercício interior de revolta contra as injustiças e desigualdades e esse tesouro oculto na alma dos revolucionários sempre teve incentivo no olhar sofrido e nas palavras das mães.

Um grande abraço nas mães, principalmente nas mães dos desaparecidos políticos que ainda hoje acalantam mentalmente seus filhos, soprando suas feridas, sem saber onde jazem seus corpos mutilados, e cujo sofrimento arrasta-se por décadas.

Para as mães dos que tombaram na luta por um mundo melhor, como Maria, a de Nazaré, que sofreu com a morte de seu filho revolucionário, torturado e executado pelos poderosos que temiam as mudanças inseridas em seus ensinamentos.

Um grande abraço também para as mães dos carrascos, pois elas sabem, mais que qualquer um, que seus filhos terão que se submeter um dia ao grande tribunal da consciência, onde nenhum advogado, por mais caro e brilhante, poderá usar truques para aliviar responsabilidades.

A todas as mães, um grande e imenso abraço.

Imaginamos o quanto deve ser difícil viver a hipocrisia em que ao mesmo tempo que se endeusa a mãe, massacra a mulher como ser social, negando-lhe a igualdade e hierarquia, como se mãe e mulher não fossem a mesma criatura. Um afeto para todas aquelas que sempre lutaram contra isso.

E para a minha mãe, que já vive na pátria espiritual, um beijo, do filho reconhecido e agradecido, que a ela deve a estrutura moral que até hoje carrega.

Obrigado mãe. Nunca esqueci teu ensinamento de que devemos lutar por aquilo que consideramos justo.



Prof. Péricles

sexta-feira, 12 de maio de 2017

MEU ÓDIO A LULA


Por Cristina Diniz


Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se Presidente da República quando eu tinha 13 anos – entre 2003 e 2010 – e, nesses oito anos de mandato, senti muita raiva do sujeito. Não consigo lembrar exatamente desde quando ou por que, mas desde que me conheço por gente eu tenho uma certeza: que ódio desse Lula ignorante.

Em partes, porque minha família inteira o detesta também. Cresci ouvindo comentários da piada que ele era. De como supostamente arrancou um dedo só para ganhar um processo contra a fábrica que trabalhava. E, o mais chocante: porque não tinha educação. Como assim? Quer ser Presidente do Brasil e só fez até a quarta-série? Até eu já tinha passado da quarta-série. Diziam também que era analfabeto e não sabia escrever ou ler – circulava sempre uma sátira dele lendo um livro de ponta cabeças. Pessoalmente eu tinha minhas dúvidas em relação ao fato, afinal aprende-se a ler antes da quarta-série.

Outra razão e objeto de canalização do meu ódio era o partido que ele representava. *Insira um palavrão*, o PT. Quem conseguia apoiar o Partido dos Trabalhadores? Eu ficava revoltada porque meu número na chamada na escola foi o 13 por três anos seguidos. Também não gostava de vermelho e evitava a cor. Nunca me esqueço do ano em que, para as Olimpíadas do Colégio, minha turma teve que ficar com a camisa vermelha – e o meu número era o treze, imaginem que vergonha eu passei.

Oras, o PT e o Lula já eram a escória da sociedade brasileira mesmo antes de estarem no poder. Mesmo antes do Lula ser Presidente eu já odiava o Lula e nós já sabíamos que ele era um ignorante. A voz dele irritava, e o fato do partido dele representar a esquerda. Ah, a esquerda! – ameaçava a paz global. Pra ser sincera eu também não sei desde quando comecei a ver a esquerda como a representação do mal na Terra, porém eu tinha as explicações que recebia: Che Guevara comunista matou milhares, comunismo é satanismo e o MST é uma barbaridade. Ok, no fundo eu não sentia nem vergonha por não saber explicar o meu ódio.

Quando entrei na faculdade de Relações Internacionais em 2010, era ano de eleições. E com informação, meu ódio cresceu. O curso estava dividido entre PSDB e PT, e eu obviamente, andava pelos corredores com meu “Serra” no peito. Para meu primeiro trabalho importante como universitária, na aula de Introdução à Política Externa, me propus a estudar e promover o debate “As Propostas de Política Externa dos Candidatos a Presidente do Brasil” – José Serra e Dilma Rousseff (Deus me livre, a Dilma).

Em resumo, depois de dois meses de pesquisa a minha conclusão me irritou: basicamente a política externa de Lula e do PT estavam trazendo o país para o seu momento mais privilegiado no cenário internacional, e a proposta de Serra levava para outro caminho. Por fim, tentei disfarçar mas apresentei o estudo e a conclusão. Ainda assim votei pelo PSDB naquele ano, e ainda assim tive muita raiva e “ameacei sair do país” quando Dilma foi eleita. Também culpei o Nordeste analfabeto por não saber votar e comprar os votos pra ganhar esmola do bolsa-família.

E saí do país, fui fazer o primeiro intercâmbio (trabalhar em uma fábrica nos Estados Unidos) e, aprendendo melhor o inglês, também fiz um curso online oferecido pela ONU na época: Os Desafios da Fome no Mundo. No primeiro texto eu já queria desistir. “Caso de estudo Brasil: a política social que tirou o país do mapa da fome”. É claro que enaltecia o programa Bolsa Família e o ex-Presidente Lula. Será que os doutores conheciam o Lula e o PT? Ah, que raiva. Que raiva por que mesmo?

Quem nunca se sentiu uma pessoa ruim por odiar um alguém sem saber explicar o porquê? Principalmente nós, mulheres, que fomos educadas para ver a outra como inimiga e ameaça, e o fazemos assim até a maturidade chegar através de informação e experiências (quando ela chega) – enfim, comecei a perceber então que o que agora mais me dava raiva era que eu não sabia do que estava falando. Afinal, o problema do Brasil era a desigualdade e vilão nesse caso poderia ser o neoliberalismo, mas não era o Bolsa-Família ou o Lula.

A minha ficha caiu quando realmente olhei para uma charge na Veja (a revista que meus avos assinam e eu lia assiduamente): O ex-presidente Lula aparecia montado em um jegue cheio de malas e bolsas, e a legenda “mais um nordestino que veio pra São Paulo sem saber o que fazia” me deixou horrorizada. Esqueci o político naquela imagem e lembrei que essa era uma referência a um povo. Que horror. Era isso que eu pensava. Racista e preconceituosa. Sem a menor empatia. Achando que eu era melhor porque estava no Sul do país. Que bom que eu só tinha 22 anos e ainda dava tempo de me desconstruir.

Ainda faço esse exercício quando me surpreendo com sentimentos negativos a algo ou alguém. Pergunto-me o porquê e espero saber responder com lucidez. Hoje, admiro o Presidente que Lula foi e acompanho a perseguição que sofre, enquanto outros políticos estão envolvidos em escândalos maiores, mas não causam nem metade da indignação. Eu não tenho problemas se o Lula for preso – se fez errado, que pague. Porém como disse uma amiga “se contra fatos não há argumentos, contra a falta a de provas, qual é o argumento ?”.

P.S: É claro que toda vez que um texto que não ataque o Lula seja publicado já se espera ser rotulado como “defender bandido”. Mas aí isso já é analfabetismo funcional, e tudo bem, eu tento entender. Também já fui assim.



Cristina Diniz, Bacharel em RELAÇÕES INTERNACIONAIS – UNIVALI/Santa Catarina
Austin, Texas, 11 de maio de 2017

terça-feira, 9 de maio de 2017

LULA E A HORA DA VERDADE



O que o juiz e sua turma devem estar esperando é algo parecido com o típico nordestino pobre que sempre entrou na “sala da justiça” com os olhos para o chão, segurando nervoso o chapéu entre as mãos, constrangido por achar que não merece estar num lugar dos bacanas.



Todos nós, de alguma maneira, aprendeu um pouco que seja de Lula, para saber que isso não acontecerá amanhã.



O nordestino que entrar naquela sala, diante da austeridade do momento, irá trazer a altivez de quem fez um governo que terminou com 80% de aprovação.



Um governo que teve seus erros e vacilações sim, mas que, como nenhum outro governo soube combater a fome e como nenhum outro procurou associar desenvolvimento com justiça social.



Não será um nordestino arrogante, mas não será o sertanejo massacrado pelo drama da seca que como nenhum outro presidente, ele soube combater com ações e não demagogia.



O Lula que estará amanhã diante do juiz carregará o peso do maior massacre midiático que alguém já sofreu nesse país. Nem Getúlio Vargas, nem João Goulart foram tão espezinhados pela força de uma mídia, robusta pelas novas tecnologias, como foi e tem sido, Lula.



Com certeza estará machucado. A Inquisição deixa marcas na alma. As saudades de Marisa que tombou no combate das hipocrisias e pela primeira vez não poderá estar materialmente presente, será forte.



Mas estará carregando também, as convicções, não as apressadas e artificiais de procuradores, mas as convicções maduras de todos aqueles que acreditam que é possível governar para todos e manter a dignidade apesar de toda campanha desmoralizante que se faça.



O Lula diante do juiz será um pouco de cada um de seu povo diante da onipotência dos poderosos que governam esse país a 500 anos e que em todo esse tempo não fizeram pelos mais pobres uma só fração do que foi feito nos últimos 14 anos de governos populares.



Que ninguém se assuste se ele chorar. Povo chora. Esse povo chora faz 500 anos.



Mas que ninguém espere que ele grite e aponte dedo. Nosso povo aprendeu que a verdade sempre aparece, mesmo que profundamente submersa em mentiras e que, para que ela apareça, não é preciso gritar.



A verdade não precisa de gritos, precisa apenas de tempo para aparecer.



As pretensões de acabar com os direitos trabalhistas, com as aposentadorias e a abertura do país entregue em fatias aos interesses estrangeiros já começam a descortinar os verdadeiros interesses por trás de toda a pirotecnia do golpismo.



O Lula amanhã será novamente a senzala diante da Casa Grande, a esperança enfrentando a soberba.



E será um pouco de cada um de nós.



Prof. Péricles



domingo, 7 de maio de 2017

QUANDO O GOLPE COMEÇOU?


Uma pergunta que se faz pertinente na reflexão que exigem os fatos que abalam a política brasileira jogando o país num dos períodos mais tristes de sua história: afinal, quando começou o golpe?


Parece certo que não foi com a deposição de Dilma, pois esse foi o ápice do golpe. O golpe em si, começou quando?


Bem, alguns pensam que foi em 26 ou 27 de outubro de 2014. Nessa data realizou-se o segundo turno com a vitória de Dilma e derrota de Aécio Neves. Quem assim pensa costuma apontar a não aceitação da derrota pela direita como decisiva e, o político derrotado como principal artífice para a conspiração só fez crescer a partir desse dia.


Outros, mais desconfiados, acreditam que o golpe começou em 01 de janeiro de 2003, quando Lula assumiu seu primeiro mandato. Raciocinam que desde o momento que um partido identificado como de esquerda chegou ao governo tudo passou a ser feito para que esse governo fosse um fracasso, derivando depois de novas derrotas sucessivas, para o golpismo mais clássico.


Pode ser. Argumentos existem, embora não exista unanimidade.


Poderíamos ainda, apontar uma outra data como data máxima de início do golpe: o dia 2 de agosto de 2007.


Nesse dia o STF iniciou um dos mais esdrúxulos e surreais julgamentos de que se tem notícia: o julgamento da Ação Penal 470, vulgo, “mensalão”.


Foram tantas as infâmias jurídicas, as perseguições deslavadas, a complacência para os abusos da mídia que, provavelmente essa seja a data mais segura para o nascimento do monstrengo fascista.

Foi quando soou a primeira nota dessa orquestra autoritária que agora toca sozinha o baile da governança.


Houvesse postura corajosa das alas progressistas e enfrentamento dos abusos com a força que os abusos pediam, provavelmente, tudo seria diferente.


Do jeito que foi, a extrema direita foi descobrindo aos poucos que podia tudo, que era aplaudida sempre, que aparecia no fantástico cheia de glórias e, pior, que as forças populares não reagiam.


Foi aqui que nasceu o golpe.

E você, qual a sua data para aniversário do golpe?





Prof. Péricles

sábado, 6 de maio de 2017

REVOLUÇÃO RUSSA, O DIA DA CAÇA

Por Antonio Luiz M. C. Costa



Há cem anos, em 15 de março de 1917, o tsar Nicolau II foi obrigado a abdicar e pôr um fim a séculos de monarquia russa e de relativa estabilidade social das elites europeias.

Não foi coincidência a revolução começar na data hoje comemorada como o Dia Internacional da Mulher. A partir da campanha das militantes alemãs Clara Zetkin e Luise Zietz, o movimento socialista do início do século XX aceitara incorporar pautas feministas não especificamente trabalhistas e um Dia Internacional da Mulher foi organizado pela primeira vez pelo Partido Socialista dos EUA, em 23 de fevereiro de 1909, em apoio à campanha pelo voto feminino.

A iniciativa fora assistida pela Internacional Socialista no ano seguinte e dias de reivindicação feminista foram celebrados em diferentes datas de fevereiro e março de 1911 a 1914, quando a irrupção da Primeira Guerra Mundial desorganizou o movimento internacional.

Em 1917, porém, a situação na então Petrogrado era insuportável. Com a convocação dos homens válidos para a frente de batalha, mulheres haviam ocupado grande parte das vagas industriais. A guerra e um inverno rigoroso haviam se combinado para desabastecer as cidades de alimentos, matérias-primas e combustíveis. A inflação disparava e a comida faltava, enquanto as fábricas paravam e demitiam por falta de materiais.

Que o Dia da Mulher surgisse de uma greve de 1857 é lenda. Mas nesse ano nasceu Clara Zetkin, sua inspiradora.

Em 18 de fevereiro, os operários e operárias da maior fábrica local, a Companhia Putilov, entraram em greve. No dia 23, trabalhadoras de toda a cidade, organizadas pelas companheiras mais militantes, aproveitaram o Dia Internacional da Mulher para arregimentar apoio aos grevistas nas ruas e fábricas e a elas se juntaram donas de casa enregeladas nas filas.

As lideranças revolucionárias de médio escalão de Petrogrado julgavam a rebelião prematura e se enfureceram.

A paralisação da Putilov tornou-se uma greve geral. O tsar ordenou às tropas de Petrogrado disparar contra os manifestantes de ambos os sexos, se fosse necessário, mas, ao contrário do que temiam dirigentes como Kayurov, os soldados se amotinaram, atiraram contra os comandantes e populares tomaram ou incendiaram os quartéis da polícia.

Sergei Mstislavski, um dos líderes do Partido Social-Revolucionário, confessou o espanto: “A revolução apanhou a nós, o pessoal do partido, cochilando como as virgens tolas da Bíblia”. Leon Trotski escreveu, mais tarde: “As massas quase não tiveram lideranças. Os jornais estavam silenciados pela greve. Sem olhar para trás, elas fizeram a própria história”.

Foi a partir desse 23 de fevereiro, tornado 8 de março com a mudança do calendário, que a Internacional Comunista fixou, em 1922, o Dia Internacional da Mulher. Por muito tempo foi comemorado quase exclusivamente por partidos e sindicatos comunistas e ignorado ou repudiado pelo chamado “mundo livre”.

Segundo historiadoras do feminismo, a lenda de sua origem na repressão violenta a uma imaginária greve de operárias da confecção dos EUA de 1857 surgiu em um artigo de 1955 do jornal comunista francês L’Humanité.

Se com isso pretendia desvincular a data feminista do comunismo soviético e ampliar sua aceitação, teve sucesso. Durante os anos 1960, as feministas dos EUA aderiram à comemoração, internacionalizada pela ONU em 1975. Neste ano de 2017, até conservadores como Donald Trump e Michel Temer precisaram assinalá-la. À sua maneira, é claro.

Logo surgiu quem se dispusesse a dirigir as massas. No dia 27, com mais de 100 mil soldados já rebelados, líderes operários presos foram libertados e organizaram o Soviete (Conselho) de Petrogrado, presidido pelo menchevique Nikolay Chkheidze com esse objetivo. Os políticos tradicionais e a própria nobreza perceberam então o risco de iminente atropelamento pela história e tentaram recuperar a iniciativa.

O presidente da Duma (Parlamento) Mikhail Rodzianko, que na véspera implorara ao tsar por reformas para acalmar a população sem receber resposta, decidiu tomar o poder. Assumiu o comando dos militares não rebelados, prendeu os ministros, fez deter o trem do tsar que voltava à capital e proclamou um governo provisório, liderado pelo príncipe “cadete” Georgy Lvov.

Este não tinha parentesco próximo com a família imperial, mas o próprio grão-duque Kirill Vladimirovich, primo do imperador, hasteou uma bandeira vermelha no seu palácio e juntou-se à revolução.

Muitos aristocratas, assim como políticos burgueses, ansiavam por se livrar da inabilidade militar de Nicolau II e da incompetência política da tsarina Alexandra e julgavam estar em posição de controlar as massas e comandar a transição. Não conseguiram, porém, obrigar o gênio a voltar para a garrafa. O Soviete de Petrogrado continuou a controlar vários ramos do governo e das Forças Armadas e, em plena guerra com a Alemanha, digladiou pelo poder com o Parlamento por meses, enquanto diferentes partidos disputavam as duas casas. Lev Kamenev, Josef Stalin e outros vieram da Sibéria nas semanas seguintes.

Vladimir Lenin, Grigori Zinoviev, Grigori Sokolnikov e demais exilados bolcheviques na Suíça tiveram o retorno facilitado pela Alemanha com a expectativa de um acordo de paz mais favorável e chegaram em 3 de abril. Trotski chegou de Nova York no mês seguinte.

As consequências para a Rússia são bem conhecidas e vale mais a pena lembrar o impacto no resto do mundo. Em 1918, operários e soldados rebelaram-se contra a continuação da guerra em vários países da Europa e em várias regiões chegou-se a proclamar repúblicas soviéticas. Essas insurreições foram esmagadas, mas o fantasma do comunismo passou a assombrar como nunca as elites europeias.

Apesar do enrijecimento do regime russo com Stalin e sucessores, 1917 continuou em boa parte do mundo a inspirar progressos sociais e políticos – ou, pelo menos, inibir certos retrocessos – até o colapso soviético em 1991.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

DISCURSO ARRASADOR

Por Miguel do Rosário



Luigi Ferrajoli, um dos maiores autores jurídicos do mundo, faz uma análise política brilhante do golpe no Brasil no parlamento italiano: “o impeachment completamente insensato e infundado da presidenta Dilma ilumina o sentido político da operação contra Lula. E vice-versa! O processo de fúria judicial, a demonização, a espetacularização, tudo isso ilumina o verdadeiro sentido do impeachment”.

O discurso de Ferrajoli é um violento tapa na cara da comunidade jurídica brasileira, incluindo os operadores da Lava Jato, que gostam de citar o autor.

Ferrajoli rechaça veementemente qualquer vínculo entre a Operação Mãos Limpas, que, segundo ele, está longe de ser um modelo de garantismo penal, pois cometeu muitos abusos, e a Lava Jato. A Mãos Limpas respeitava o processo penal. A Lava Jato, não.

Faz um discurso emocionado contra a Lava Jato e contra Sergio Moro, acusando-os de repetir procedimentos enterrados desde o fim da idade média do direito penal:

(…) podemos reconhecer, neste processo, além das extraordinárias violações, como a difusão e a publicação de interceptações, feitas pelo próprio juiz, as características típicas da Inquisição.

Outros trechos do discurso proferido em 11 de abril de 2017:

(…) por isso tem se falado em golpe de Estado que é, de um lado, judicial, e, por outro, parlamentar.

Ou seja, uma operação contra uma presidenta legitimamente eleita, Dilma Rousseff, e um impedimento de outro candidato do mesmo grupo de se candidatar, evidenciam uma mudança de linha política, inclusive institucional, visto que o governo tinha implementado programas como o Bolsa Família. Haviam sido implementadas medidas sociais de direito à saúde e à educação.

Então devemos nos preocupar porque, além de um caso judicial que é realmente escandaloso, e além do processo que atingiu a presidenta do Brasil, estamos diante de uma operação que se apoia num processo de deformação do espírito público, do senso comum, da informação, para controlar, instrumentalizando meios judiciais e pseudoparlamentares, o poder institucional do Brasil. ”

(…) Isso nos lembra da figura do juiz inquisidor, descrita por Beccaria, ou seja, “quando o juiz se torna inimigo do réu, e se atormenta, e receia perder o jogo, se não consegue comprovar uma acusação”.

Isso não é admissível.

É preciso proteger, antes de tudo, a jurisdição e o Estado de Direito, que requer um respeito às leis, as quais foram criadas sem o intuito de declarar guerra a ninguém!

Por isso é importante, e eu acredito nessa ideia de uma organização de magistrados ativos que precisam analisar esses processos, criticá-los, denunciar os abusos, nem que seja só para discutir opiniões.

São atitudes que podem colocar um freio e deslegitimar essa operação [Lava Jato], que é de uma gravidade enorme, porque além de suas intenções políticas, contingentes, que são as eleições de 2018, ela está produzindo uma mudança na estrutura do Estado de Direito, com base na indiferença, na desinformação e no consenso geral.

Porque a forma mais terrível de populismo não é o populismo político, e sim o populismo judiciário.

E isso pode representar um perigo para o qual a comunidade jurídica deve olhar de maneira muito atenta, para proteger a jurisdição e a própria dignidade do direito!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

VAZA TEMER


Como se sentiu na sexta-feira, golpista?

Não adianta fingir. Se desse, teria baixado o pau, né? Mas não baixou, porque lhe deu paúra.

Gente demais. Mais de 30 milhões de trabalhadores paralisados em todo o País.

E seu ministro da porrada, aquele da bancada ruralista, chama isso de pífio. A raposa falando das uvas. Para quem não tem popularidade e é avaliado como o pior "governante" da história do Brasil, tanta gente na rua não é um bom presságio.


Pífios são vocês. Traidores mesquinhos. Gente feia. Smeagols.

Poderia ter entrado para a memória como pacificador, dando apoio à Presidenta Dilma Rousseff e articulando sua base parlamentar, mas preferiu comprar bancada para golpeá-la pelas costas com o Eduardo Cunha, que hoje apodrece na cadeia em Curitiba.

E agora você distribui cargos num descarado clientelismo, como se a República fosse res privata sua. A FUNAI, por exemplo, não serve mais aos povos indígenas, serve ao PSC, "é do André Moura"...

Nada mais impressiona nesse arrastão que você e sua turma promovem no governo.

Política indígena, assim como a educacional, a de saúde, a de moradia... tudo deixou de existir. As pastas que deveriam dar suporte às políticas públicas foram transformadas em regalos para os politiqueiros sem princípios que lhe dão apoio por pura ganância e ambição. Nunca o Brasil chegou tão baixo.

Já não nos comovem cenas deprimentes como aquela experimentada semana passada por seu ministrinho da falta de educação, o Mendoncinha, que gosta de conselhos de ator pornô. Saiu da Universidade Federal da Bahia cortando a cerca, para não ser vaiado pelos estudantes.

Neste seu "governo", nada mais surpreende. Nem mesmo manter nos seus cargos oito ministros investigados por corrupção.

Você conseguiu zerar o investimento público neste ano. Assaltou o BNDES, desviando 1 bilhão de reais de seus cofres. Tudo para debelar uma crise que você e os seus criaram para derrubar uma Presidenta eleita com 54 milhões de votos. Depois a aprofundaram com um déficit primário artificial de 170 bilhões de reais, para distribuir 50 bilhões a amigos. E este ano quis fazer a mesma coisa, não fossem os cofres vazios.

Para alimentar sua rede de favores, resolveu desnacionalizar o Brasil, vendendo campos de petróleo a preço de banana para companhias estrangeiras, abrindo o mercado aéreo para empresas não brasileiras, permitindo a venda de terras a estrangeiros sem qualquer limite e por aí vai.

É o jeito de manter seu cassino funcionando, né? Ou será o butim que coube a seus aliados do Norte na guerra que moveu contra nossa jovem democracia?

E acha que nós aceitamos pagar a conta desse seu jogo contra a sociedade? Claro que não.

Quando as instituições se omitem na defesa da democracia, devolve-se ao detentor da soberania popular – ao povo – o direito de resistir à arbitrariedade.

Somos nós os verdadeiros e originários guardiões da Constituição!

Os próximos dias de seu "governo" serão seu ocaso. É bom se acostumar. Sexta-feira foi só o começo. Quem sabe a gente se surpreenda em algum momento próximo com um lampejo de dignidade que em toda sua vida não mostrou e possa aceitar seu pedido de renúncia na paz? Sonhar é de graça. Mas seria melhor assim. Seria melhor você sair pela porta dos fundos da história, para não ter que passar por seu corredor polonês pela frente.

Agora, se insistir nessa coisa bandida de destruição da previdência pública para enriquecer seus sócios de fundos financeiros e em pensar que o trabalhador brasileiro é otário e se submeterá a seu capricho de nos catapultar de volta para o regime constitucional de 1891, estará escolhendo o caminho mais doloroso.

O povo vai se transformar no pior pesadelo de sua malta. Pense bem antes de testar. Ano que vem – ou até antes – haverá eleições. Ainda é tempo de recuar.

O dia 28 de abril de 2017 foi nossa primeira resposta, a da sociedade brasileira, ao espetáculo deprimente que você e seus ratos no Congresso protagonizaram em 17 de abril de 2016.

Foi uma resposta à altura e é bom ouvi-la. Sua liga de super-heróis, a Rede Globogolpe e os MBLs da vida, não tem tamanho para enfrentar o que começamos sexta-feira.

Quem viver verá.

Vaza, Temer, vaza!



Por Eugênio José Guilherme de Aragão jurista, membro do Ministério Público Federal desde 1987, foi último Ministro da Justiça de Dilma Rousseff em 2016