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quinta-feira, 29 de junho de 2017

LULA: UM DISCURSO BRILHANTE

Na comemoração dos 25 anos da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, nessa quarta-feira 28 de junho, Lula fez um de seus melhores discursos em forma de comício.

- Mais do que nunca esse país precisa de uma classe trabalhadora unida para levantar a cabeça e dizer que esse país não é de meia dúzia.

- Trabalhador não pode ir à feira só depois das onze para comprar o tomate que a elite já espremeu, pegar a xepa! Não! Trabalhador tem que comprar o melhor pepino, a melhor alface!

A seguir, outros trechos desse discurso brilhante:

- as indústrias jamais voltarão a gerar os empregos que geravam.

- Peguem o documento que eu apresentei na primeira reunião do G-20 e eu dizia: precisamos criar empregos, precisamos de comércio, para que os países pobres também possam vender.

- só se recupera a Economia com mercado interno

- esse Governo que está aí de Governo não tem nada

- não foi Deus quem pôs o Temer lá: foi um Golpe de uma maioria no Congresso que assaltou o poder

- esse Governo destrói a indústria com a destruição da Petrobras e dos bancos públicos

- no começo de 2009, quando eu disse que o Brasil não ia ser destruído por uma marolinha, foram os bancos públicos que salvaram o Brasil – Banco do Brasil, Caixa, BNDES, BASA, BNB

- eu até liguei pro Obama para ele criar um BNDES

- a Lava Jato destruiu a indústria nacionalista

- quem roubou tem que ir preso, mas, não, ser preso por delação premiada, senão, ninguém escapa

- a construção civil demitiu 600 mil trabalhadores

- a naval, que nós recuperamos, 50 mil

- quem vai investir aqui, sem consumo interno, com a queda da renda das famílias?

- é preciso pensar uma saída política para esse país

- a saída política é o povo eleger o presidente da República, seja ele quem for

- mas eleito democraticamente

- a desgraça de quem não gosta de política é ser governado por quem gosta

- político ladrão? Alguém botou ele lá!

- temos hoje um Poder Judiciário desacreditado, um Presidente desacreditado, um Congresso desacreditado

- não faz muito tempo que essa gente tenta me destruir

- uma vez quando me prenderam: a greve tinha 17 dias. Com a minha prisão, a greve durou 41 dias!

- eu fiz mais que todos eles juntos!

- quando fui presidente, tinha uma determinação sagrada: cada brasileiro tem que tomar café da manha, almoçar e jantar todo dia

- fiz o maior programa de Educação desse país

- filho de trabalhador foi fazer mestrado, doutorado

- durante três anos, todo dia nos jornais, vinte horas de Jornal Nacional, num ano – isso dá doze jogos do Barcelona contra o Real Madrid

- qualquer outro não teria coragem de abrir a porta, a porta do banheiro tinha que ficar fechada

- foi um massacre

- aí apareceu uma pesquisa que não é da CUT, mas da Folha de São Paulo

- eu fico imaginando como é que o diretor de jornalismo da Globo, da Folha, do Estadão, da Zero Hora, do Diário de Pernambuco, do Jornal da Bahia, do cacete a quatro – como é que esses caras reagiram?

- o Lula tá morto! O PT está morto!

- tem que somar todos eles juntos para chegar perto do Lula

- todos os partidos juntos não dão a metade da preferência pelo PT

- isso deve ter dado uma insônia desgraçada neles

- eles não podem dizer outra vez que o povo é burro

- o povo sabe o que está acontecendo

- (quando deixou a Presidência) o desemprego era de 4,3% - mais do que pleno emprego, mais do que a Suécia

- aumento real do salário mínimo, 74% de aumento do salário mínimo

- empregada doméstica passou a ter carteira assinada e ser tratada como cidadã

- esse pais deixou de ser apenas Rio, São Paulo e Minas

- o Brasil precisa de fertilizante? Fizemos uma fábrica de ureia em Mato Grosso e de amônia em Minas

- as duas estão paradas!

- eles querem que o Brasil volte a ser cachorro vira-lata que abana o rabo pro patrão

- não tem mais empresário nacional!

- cadê o Antônio Ermírio, o Bardella, o Villares?

- eles eram nossos adversários, mas eram brasileiros, eram nossos!

- 70 milhões de brasileiros foram bancarizados. Essa é uma palavra que muita gente não entende, mas vi catadora de papel chorar porque abriu uma conta em banco!

- criamos 22 milhões de empregos!

- o povo não é burro!



Créditos: Ricardo Stuckert

terça-feira, 27 de junho de 2017

MICOS VIRTUAIS E GOLPES REAIS



O conhecimento formal, foi tratado por nosso povo, ao longo dos anos, como algo distante e, de certa forma, supérfluo.


Na maioria das mentes das classes mais carentes, seus filhos deveriam auxiliar na sobrevivência material da família. Estudo era coisa para filho de doutor, esse sim, que usaria um dia o conhecimento na carreira.


Filho de pobre não precisava, esse tinha que ajudar a pôr o pão na mesa, em primeiro lugar.


Era como se o mundo do conhecimento fosse exclusividade, ou melhor, mais uma propriedade, dos mais ricos.


Falar bem o idioma era coisa bonita, praticada por gente chic. Escrever errado não era feio pois, filho de gente pobre precisa escrever para que?


Conhecimento de história era demonstração de cultura, mas, inútil para os filhos de lavradores ou de operários. Ficava bem era nos discursos políticos e até na poesia.


Coisa de filho de coronel.


Ser educado era saber seu lugar, e como “seu lugar” entenda-se o conformismo com a vida dura e com as desigualdades que dessa forma, eram ainda mais eternizadas.


Os próprios jovens eram conformistas com essa “realidade”. Muitos, apesar dos esforços dos pais em manterem-nos na escola pelo tempo mínimo, acabavam fugindo das responsabilidades, abandonando os estudos pois não viam nada mais consistente para o “sacrifício” de estudar.


O mundo de virtualidade vem alterando também esses conceitos, ou melhor, a falta deles, no que se refere a educação.


Hoje, o mundo se comunica através das redes virtuais na velocidade de um clic, onde as ideias são colocadas e debatidas por escrito.


De repente, a meninada passou a perceber o quanto é importante saber expressar suas ideias, e, no caso, escrever corretamente aquilo que se quer dizer.


Os erros crassos tornaram-se temidos.


No debate simples sobre a realidade do mundo, do país, da cidade e do bairro, a opinião sobre o que falou essa ou aquela autoridade ou artistas, o conhecimento de história, de geografia, entre outros, tornou-se importante já que ninguém quer ficar calado diante da polêmica.


Ter uma opinião passou a ser uma necessidade e ter sua opinião reconhecida, uma necessidade maior ainda.


Mas, cada vez mais a opinião necessita ter alguma base, alguma referência que não exponha seu autor ao ridículo.


Muita gente descobre só agora que matar aquela aula de história, talvez não tenha sido uma boa ideia.


Esse é um dos pontos positivos da massificação da comunicação e que já produzem melhorias nas relações humanas.


Com o tempo, essas melhorias se solidificarão em busca de conhecimento para não pagar mico maior ainda.


Como os que pagam hoje os que defenderam o golpe de 2016 sem saber de fato qual era seu papel no teatro do golpe.


O micão do pato da FIESP, o mico da bateção das panelas...


Ao estudarem um pouco mais de história perceberão o quanto foram manipulados.


Ao lerem textos sobre o fascismo compreenderão que estiveram muito próximos daqueles personagens que apoiaram a ascensão de tiranos ao poder, impulsionados pela propaganda.


Otimismos? Talvez, mas a ideia é a de que, o conhecimento as vezes tarda, mas não falha.




Prof. Péricles

sábado, 24 de junho de 2017

O JANELÃO ESTILHAÇADO DA REDE GLOBO



Por Tatiana Carlotti


Em tempos de golpe, a fragilidade das nossas instituições democráticas se escancara. Na seara da comunicação, enquanto a Mídia Alternativa luta pela sobrevivência, garantindo o mínimo do contraditório ao discurso hegemônico; as Organizações Globo, promotoras deste discurso, inauguram a nova sede do seu jornalismo.


A discrepância de forças ficou evidente na última segunda-feira (16.06.2017). Durante cinco minutos, o Jornal Nacional vendeu o aparato jornalístico a seus telespectadores, detalhando a metragem do novo espaço, o dobro do anterior, e suas 18 novas ilhas de edição.

A cobertura da “cerimônia macabra”, assim qualificada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, incensou a parafernália tecnológica, destacando os imensos telões e as ilustrações em três dimensões do Jornal Nacional.


Segundo o script, “isso é possível porque o novo cenário é formado por duas camadas de imagens. Primeiro um vidro de 15 metros em curva, que varia do fosco para o transparente. E, ao fundo, um telão gigante, o de três metros de altura a por 16 de largura. Uma janela para o mundo”.


Uma embalagem bonita para um escasso conteúdo. A tentativa do Grupo Globo de compensar a baixíssima qualidade de seu jornalismo. Não será um vidro de 15 metros que devolverá a credibilidade perdida às Organizações Globo. Ela foi estilhaçada pela politicagem rasteira que o Grupo realiza há 92 anos.


É brutal a asfixia ao contraditório, ao debate de ideias e propostas perpetrado pela empresa, vide a cobertura da PEC do Teto de Gastos, a defesa aguerrida das reformas trabalhistas. É criminosa a perseguição promovida contra desafetos da emissora, bem como sua atuação política, interferindo diretamente nos rumos do país, vide os episódios que antecederam e sucederam o golpe – os dois, aliás.


E o que dizer da seletividade de suas pautas? O silêncio diante de questões de extrema importância, como o genocídio da população jovem, negra e pobre nas periferias, assassinada pela Polícia Militar, em vários estados do país. Como isso não é pauta na principal emissora brasileira?


O Brasil e o mundo passam longe do janelão da família Marinho.


Prova disso foi o discurso do presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho que falou sobre “futuro”, “compromisso da emissora com o país” e, pasmem, “jornalismo independente”. Mandatário de uma organização que faz política diuturnamente, ele disse ser “significativo que, no auge de um período crítico da vida nacional”, o Grupo Globo esteja “inaugurando um moderno estúdio de jornalismo”.


Muito significativo, aliás, dado o protagonismo das Organizações Globo no afastamento de uma presidenta democraticamente eleita do poder, sem crime de responsabilidade.



Roberto Irineu mencionou também os 92 anos da emissora salientando que ela pretende continuar “sendo uma empresa familiar que olha para o longo prazo” e que “investe hoje para construir o futuro onde queremos viver”.


Queremos? Uma tarde assistindo à Globonews nos permite compreender de que futuro se trata: aquele desenhado pela agenda da austeridade. O futuro de um país garroteado pelo estado mínimo, onde a criminalização da política é lei e a destruição da imagem de partidos, lideranças e movimentos de esquerda, uma prática corrente.


Um futuro, diga-se de passagem, recusado quatro vezes nas urnas pela maioria da população brasileira. Daí o terceiro turno forjado pelas Organizações Globo, com seu candidato o senador afastado Aécio Neves, incensado como a saída para o país; as manifestações pró-impeachment convocadas explicitamente pela emissora; o golpe de 31 de Agosto, cujas consequências recaem sobre o povo brasileiro, via crise institucional, política e econômica que se prolonga.


Nada disso, obviamente, foi mencionado pelo presidente da maior empresa de comunicação do país. Na pele de CEO, Roberto Irineu esqueceu de mencionar o desemprego acirrado pela turbulência política, preferiu citar os 19 mil empregos diretos e os 15.800 indiretos criados pela empresa da sua família.


Tampouco falou das denúncias de sonegação fiscal, mais de R$ 600 milhões devidos aos cofres públicos decorrentes da compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002. Preferiu mencionar o pagamento de R$ 14,5 bilhões em impostos nos últimos cinco anos, “com muito orgulho”, destacou.


E afirmou ainda: “só com uma empresa que permanece e se sustenta conseguimos produzir jornalismo independente”, como se as Organizações Globo não recebessem financiamento das estatais, não se fizessem política, nem defendessem os interesses corporativos e financeiros que defendem descaradamente nos seus noticiários.



Nesta semana aliás a Globosat assinou um acordo com a Vice Media, maior companhia de mídia e produção de conteúdo para o público jovem do mundo, ela inclusive tem como sócia a Disney, para criar uma joint-venture. Pelo acordo, em torno de US$ 450 milhões, a Globo terá participação minoritária na Vice Brasil.



Com público alvo de jovens entre 18 e 34 anos, a joint-venture irá oferecer entretenimento com foco em comportamento pela Globosat que conta com 33 canais e mais de 18 milhões de telespectadores diários.


Um discurso vazio em meio a um cenário megalomaníaco, a síntese do jornalismo Globo que não teria consequência alguma, não fosse o imenso poder que detém, graças à concessão pública, das quais as Organizações Globo abusam, sem qualquer regulação ou controle do poder público.



Concentrada nas mãos de meia dúzia de famílias, a comunicação no Brasil segue engessada ante qualquer possibilidade de concorrência. E o mais grave: o discurso hegemônico impera impedindo à população de ter acesso a vários pontos de vistas e opiniões; engessando múltiplas pautas; impedindo ao Brasil, diverso e múltiplo que somos se reconhecer naquilo que é veiculado na TV, nas rádios e jornais.



Daí o esforço da Mídia Alternativa em assegurar o mínimo de contraditório à narrativa autoritária e hegemônica que comanda a pauta nacional. E sem financiamento, diga-se de passagem, já que uma das primeiras medidas de Michel Temer, assim que entrou no governo foi promover a asfixia econômica de sites e blogs progressistas e independentes no Brasil.



O ônus da ausência de uma efetiva Lei de Mídia – uma das principais reivindicações da Mídia Alternativa ao longo dos últimos anos – é a própria democracia e a quebra da ordem constitucional que vivemos.



Aliás, os graves problemas desta concentração e seus danos à democracia são tema de um estudo recente e imperdível divulgado pela UNESCO, sob o título “Concentração da Propriedade de Mídia e Liberdade de Expressão: Padrões e Implicações Globais para as Américas”.


Com base no direito internacional, o documento aponta quais ações precisam ser promovidas para se regular o mercado de mídia, destacando cinco ameaças à democracia resultantes da concentração da mídia. São eles:



"1. Influência excessiva dos proprietários de meios ou de seus anunciantes sobre os responsáveis políticos e os poderes públicos, e manipulação encoberta das decisões políticas para favorecer interesses econômicos ocultos;



2. Concentração da propriedade dos meios comerciais e sua possível influência sobre a esfera política, seja a concentração da propriedade nas mãos dos governantes, de todos os meios de comunicação de um país nas mãos de um único proprietário, ou (situação especialmente perigosa nos países pequenos) de todos os meios de comunicação nas mãos de proprietários estrangeiros;



3. Efeito nefasto da concentração dos meios de comunicação e da evolução dos modelos econômicos sobre a qualidade do jornalismo (de investigação e de outros tipos), traduzido na diminuição da margem de liberdade editorial, degradação das condições de trabalho e precarização do trabalho dos jornalistas;



4. Falta de transparência sobre a propriedade dos meios e as fontes de financiamento;



5. Potenciais conflitos de interesses que resultam na proximidade entre os jornalistas e os interesses econômicos.”


Como você pode notar, tratam-se de riscos de primeira grandeza, sobretudo em um Brasil dominado por “mini-Berlusconis”, conforme cunhou The Economist, ao avaliar a oligarquia das empresas familiares de comunicação que mandam e desmandam no Brasil.

No caso da Globo, há 92 anos.


Até quando?



sexta-feira, 23 de junho de 2017

FASCISMO E CAIXINHAS PRETAS



Dei mais uma olhada fazendo uma cara de quem procura algo...


O barulho era estranho, diria até, silencioso, no entanto eu via que eram muitas as engrenagens que estavam sendo movidas.


Uma correia, ou parecia ser uma correia, me fez lembrar das bicicletas, e do terror que quando criança, quando ela simplesmente desenganchava fazendo que todo o mecanismo trancasse.


Algumas peças redondas, outras cilíndricas. Cores vivas.


Uma caixa preta simpática, pequena, parecia sorrir da minha confusão.


Nunca entendi nada de motor de carro. Nunca quis entender e nem tive a curiosidade necessária para quem quer aprender.


E agora estava eu ali, olhando aquela maravilha da tecnologia... enquanto dois “profissionais do ramo” aguardavam meu parecer.


Cilindros, turbo, e muitos outros conceitos passavam pelos meus ouvidos sem significar nada.


- Então, professor, não é uma maravilha esse motor? Só falta falar, disse um deles, o proprietário do carro recém-comprado.


- Bobagem, disse o outro, motor comum, nem se compara ao do carro alemão, motor turbo... não acha professor?


Não achava nada, não entendo nada. Só sei que a caixinha era simpática e parecia sorrir mais eles não iriam entender essa minha opinião.


Porém, queriam um veredito... e agora?


Foi então que resolvi contra-atacar. Afinal, conhecimento se combate com conhecimento, ou vice-versa.


Me ergui e olhando os dois amigos coxinhas, perguntei: o que vocês acham do neoliberalismo? Da mais valia? Stalinismo ou Trotskismo? A reforma agrária é uma questão técnica ou ideológica?


Diante da surpresa e dos olhos arregalados, conclui: a gente deve ser humilde e reconhecer aquilo que não entendemos, aceitar nossas limitações e procurar estudar melhor o assunto.


Não sei qual o melhor motor, da mesma forma que a maioria dos direitistas não sabem o que é comunismo, dizem que o PT é comunista, pensam que reforma agrária é redistribuir terra, direitos humanos só ajudam bandidos e que Hitler era comuna.


Caracterizar como ignorante uma opinião (no sentido de desconhecer o assunto) não implica em desqualificar o debatedor, mas de qualificar o debate.


A diferença é que, o fascismo que aflora nesse tipo de “ignorância intelectualizada” ofende-se quando questionado por argumentos e, ao contrário de caixinhas pretas que parecem sorrir, definitivamente, não é nada simpático.


Claro, eu poderia pedir um tempo e perguntar a opinião do mecânico da frente da minha casa, mas isso, seria como terceirizar a minha própria opinião, como fazem os que defendem o que diz a mídia, sem reflexão, e isso, não seria honesto, seria mentira.



Prof. Péricles

quarta-feira, 21 de junho de 2017

OS DEZ MANDAMENTOS DA DELAÇÃO PREMIADA



Por Alexandre Moraes da Rosa



Perguntaram-me como explicar brevemente o regime da colaboração/delação premiada no Brasil sem precisar ler muita coisa, no estilo 10 mandamentos. Aceitei o convite.


Abaixo, segue o que explico no Guia do Processo Penal conforme a Teoria dos Jogos, de maneira esquemática. Aviso que as alusões devem ser lidas com certa dose de cinismo. Significam perspectiva metafórica do que pode se passar, e não necessariamente com o que concordo.


Metaforizei a partir de um indivíduo que joga sujo e quer maximizar seus êxitos a qualquer preço, sem levar em consideração aspectos éticos e morais. Não estou falando, necessariamente, de você, leitor.


Seguem os mandamentos:



1. Ama (e salva) a ti mesmo sobre todas as coisas e pessoas.

2. Não torna seu nome em delator em vão, porque deve valer a pena a recompensa.

3. Guarda gravações, documentos e prints de pessoas que podem ser delatadas no futuro.

4. Delata pai e mãe, se necessário for.

5. Não delata muito antes de o comprador precisar da informação.

6. Não delata alguém que pode te delatar, salvo se conseguir destruir tua credibilidade antecipadamente.

7. Não rouba informação alheia nem reputações, salvo se necessário.

8. Não levanta falso testemunho, salvo se puder criar falsos indícios ou provas, e então o faça parecer crível.

9. Não deseja o julgador do próximo só porque ele é mais “garantista”.

10. Não cobiça as delações alheias (somente porque os outros jogaram melhor).


Alguns podem ficar magoados com o modo em que sugeri os mandamentos, mas pode ser que você esteja enfrentando alguém que pensa justamente assim.


Não admiro nem faço loas a quem joga sujo. Apenas descrevo um comportamento possível de um jogo de compra e venda de informações que se instalou no Brasil.


Se você não concordar, melhor. Talvez esteja errado. Que assim seja…

sábado, 17 de junho de 2017

CANALHAS ESTÚPIDOS DEVIAM SER FUZILADOS


Eles posaram de paladinos defensores da moralidade contra a corrupção.


Mídia cúmplice, holofotes atentos para divulgar cada acusação, cada palavra de efeito, cada caras e bocas.


A energúmena classe média ululava pedindo o impeachment da presidente e cadeia para o ex-presidente;


Eram os patriotas, os heróis, os corretos.


Agora estamos assistindo a um formidável espetáculo de máscaras caídas.


Nem foi preciso dar tempo, tamanha precariedade moral dos paladinos.


Depois que uma avalanche de hipocrisia acabou com um mandato presidencial legitimamente eleito, o povo brasileiro, estarrecido (povo brasileiro adora ficar estarrecido) assiste um show de lavagem de roupa suja, e as mais sujas são justamente togas, ternos e gravatas.


Como sempre, os mais moralistas são os mais corrompidos.


Senadores pegos falando em roubar dinheiro, aos milhões, como garotos falam em roubar bolinha de gude deslumbram o Grande Espetáculo da Terra brasilis. Terra triste de parcelas egoístas e preconceituosas, de risos debochados de canalhas.


Enquanto isso, a crise financeira que era administrável vai se avolumando e lembrando os piores tempos de passado recente.


Vamos vendendo riquezas a preço de banana e privatizando tudo que é possível, sempre em favor dos empresários e contra os interesses público.


Até direitos adquiridos depois de muito sangue e muita luta, como aposentadoria, estão ameaçados


Cai a máscara, caí dezenas, centenas de máscaras, e, infelizmente parece que cai o Brasil inteiro junto, s´po não caia a arrogância da cara dos estúpidos que apoiaram tudo isso, sem ser da elite.


Depois de alguns anos combatendo a miséria e criando programas sociais de profundidade o país volta aos tempos mais mesquinhos em que os poderosos coronéis fatiavam o Brasil para vende-lo em benefício próprio.


O povo? O povo que se dane!


Sempre fomos contra a pena de morte. Mas, devo confessar que não derramaria uma só lágrima vendo essa gente, de todas as áreas, num muro de fuzilamento.

Acusação? Alta traição nacional e Crime de lesa história e lesa povo com crueldade.




Prof. Péricles

quinta-feira, 15 de junho de 2017

A JUSTIÇA E SEUS PENICOS


Por Joan Edesson de Oliveira


Clodoveu Arruda foi um advogado cearense, de Sobral, Secretário do Interior e Justiça e Secretário da Fazenda no governo de Faustino de Albuquerque, cujo mandato foi de 1947 a 1951.


Homem culto, conservador, foi destacado ator na política cearense, especialmente na zona norte do estado. Deixou um vasto anedotário, especialmente na sua área de atuação, o Direito.


Uma dessas deliciosas histórias, contada pelo ex-prefeito de Sobral Veveu Arruda, seu neto e homônimo, diz respeito à contestação de uma sentença judicial, considerada injusta por Clodoveu Arruda.


Um juiz havia condenado um seu cliente e imposto a esse uma multa. Irritado com o que considerava uma injustiça, e aproveitando que o juiz não determinara que a multa fosse obrigatoriamente paga em dinheiro, orientou o cliente a que comprasse no mercado local o mesmo valor estipulado pelo juiz em penicos. Sem papas na língua, juntou à carroça carregada com a divertida carga de penicos um bilhete de desaforado bom humor, a ser entregue ao juiz: “Para uma justiça de merda, só mesmo muito penico”.


No estranho Brasil dos últimos anos, cada vez mais parecido com os lugares do realismo mágico latino-americano, é impossível não pensar naquele bilhete ao ouvir a justiça brasileira, de norte a sul do país.


Parecemos cada vez mais propensos a permitir que a judicialização da política brasileira permita que o poder seja exercido por procuradores e juízes sem voto, substituindo a vontade popular por uma muito discutível meritocracia.


Da mais ínfima comarca até o que deveria ser um Supremo Tribunal Federal são incontáveis os casos em quem poderíamos, sem chances de erro, enviar aquele bilhete e aquela carroça.


Agora mesmo é possível acompanhar pela televisão e pela internet os edificantes debates no Tribunal Superior Eleitoral, onde um juiz manda a modéstia às favas e afirma que o outro só tem oportunidade de “brilhar na tv” por sua causa, como se os juízes fossem astros da televisão.


O outro, em tom lamuriento, reclama de uma amizade de mais de vinte anos, a não merecer aquele ataque, imaginando tudo como um compadrio, um convescote de velhos amigos.


Há juízes com páginas de apoio na internet, com seguidores que passam do milhão nas redes sociais. Ministros do que deveria ser o Supremo reclamam no exterior que a legislação trabalhista brasileira é bondosa demais para os trabalhadores. Ou, do alto do seu pensamento branco e elitista, elogiam os “negros de primeira linha”, dando a entender que os há de segunda, de terceira, de quarta linha.


São tantos, mas tantos, que haverá dificuldades para se catalogar todos os absurdos proferidos no Brasil de hoje em nome da justiça.


Da primeira à última instância há juízes abertamente partidários, que combatem um lado com jurídica ferocidade, enquanto posam sorridentes com representantes do outro lado, mesmo que sejam esses acusados e réus.


Talvez os que vierem depois de nós não acreditem que uma mulher grávida foi presa e condenada por roubar ovos de páscoa e peito de frango, e que tenha recebido uma sentença muitíssimo mais dura que homens que roubaram na casa dos milhões.


Talvez não acreditem que uma mulher, ex-ministra, foi condenada a indenizar um ator pornô que confessou um estupro, apenas porque ela disse a verdade, que o ator pornô confessou um estupro ao vivo em um programa de televisão. Talvez não acreditem que quem condenou a ex-ministra foi outra mulher.


Talvez, os que vierem depois de nós, tenham dificuldades em compreender os estranhos tempos que vivemos.


Voltando a Clodoveu Arruda, fico a imaginar que se vivo ele fosse, e advogasse em nome das duas mulheres do parágrafo anterior, teria muita dificuldade para encontrar, no mercado local, uma quantidade tão grande de penicos, à altura daquelas sentenças.











terça-feira, 13 de junho de 2017

TEMPOS ESTRANHOS


Definitivamente vivemos dias muito estranhos.

Olha só o que aconteceu com Chapeuzinho Vermelho, por exemplo.

Depois de anos vivendo na imaginação infantil, como uma heroína, foi levada coercitivamente para Curitiba a fim de prestar contas sobre denúncias chegadas por lá.

Queriam saber por que seu chapéu era vermelho. Seria uma militante comunista ou petista? Cadê a estrela ou a foice e o martelo? Seria militante do MST lá na floresta da vovó, reivindicando reforma agrária?

E quem era, na verdade, o caçador? Um agente de Moscou infiltrado para protegê-la?

Pobre chapeuzinho teve ligações com a vovó grampeadas e expostas na mídia. Tudo bem, ela não falava nada demais nas gravações, mas, nem precisava, o estrago já estava feito.

E o Zé Milita então?

Zé Milita sempre acreditou na neutralidade da justiça e nas boas intenções de todos os seus agentes. Chegou a brigar com o irmão mais velho que insinuou que no Brasil todos são mais ou menos iguais perante a Lei.

Zé Milita não admitia suspeição sobre a “dona justa” como ele chamava o sistema judiciário brasileiro.

Pois Zé Milita está acamado, e, dizem, em estado grave já que não entende porque um ex-candidato a presidente, derrotado em 2014, ainda não está preso, mesmo depois de quilômetros de gravações onde ele debocha de tudo e de todos e demonstra estar envolvido em negociatas e uma fome enorme por dinheiro, público ou privado.

Maldoso, o irmão ainda mandou uma carta perguntando a Zé Milita onde estaria encarcerado o dito cujo.

Tempos estranhos onde a extrema-direita da França é derrotada, porém, nada de comemorações, pois quem a derrotou é um estranho partido fundado há poucos meses e que jura não ser de direita nem de esquerda, ou seja, tão direitoso que nem se assume.

Tempos em que grande parcela da população brasileira aplaude atos de terrorismo contra contraventor que rouba bicicleta velha, desde que o contraventor seja pobre claro, pois rico pode ser tudo o que quiser, contraventor, cheirador, deputado ou senador.

Em dias que ser reacionário, homofóbico e racista não traz vergonha pra ninguém e em que juízes e réus aparecem de braços dados entre risos e afagos.

Sei não. Acho que vou pedir asilo político na floresta do Chapeuzinho.



Prof. Péricles

domingo, 11 de junho de 2017

GILMAR MENDES E O POSTO IPIRANGA


Por Jeferson Miola


A rede de postos de combustíveis Ipiranga faz uma propaganda na qual enaltece a inigualável versatilidade das suas lojas de conveniências.


Na propaganda, o Posto Ipiranga é apresentado como o lugar onde se consegue encontrar tudo a qualquer hora do dia, da noite e da madrugada: ingresso de cinema, padaria, preservativo, bebida, café, guloseima, passagem aérea, reconhecimento de firma, jogo do bicho, pão de queijo, ovo de páscoa, tatuagem etc e, inclusive, combustível e óleo de motor.



Gilmar Mendes é o Posto Ipiranga do PSDB, do Aécio Neves e do Michel Temer. Ele é, em alguns momentos, um simulacro de juiz do STF e do TSE e, na maior parte do tempo, um militante partidário faz-tudo do PSDB.



O PSDB, Aécio, Temer e o bloco golpista sempre encontraram em Gilmar o lugar de abastecimento dos “itens” necessários para cada passo da conspiração e do golpe que derrubou Dilma.



A dobradinha com o juiz Sérgio Moro em março de 2016 na gravação e divulgação ilegal das conversas da Presidente Dilma, e a posterior anulação da posse de Lula na Casa Civil é o ápice da trajetória de Gilmar na dinâmica golpista.



A oligarquia continua se abastecendo no “Posto Gilmar” para a manutenção de Michel Temer, um moribundo político investigado por crimes de organização criminosa, obstrução da justiça, corrupção e prevaricação – todos eles praticados no exercício do cargo usurpado de presidente da república – e que sobrevive artificialmente, respirando através de aparelhos.



É desnecessário inventariar os sucessivos episódios em que Gilmar atuou com perfil nitidamente partidário usando o disfarce da toga que, vivesse o Brasil um momento de normalidade institucional, ele jamais teria condições de vestir.



O papel do Gilmar na fraude do julgamento do TSE para salvar Temer é, sob qualquer perspectiva, repugnante, e encerra um dos momentos mais deploráveis da história moderna brasileira. É um daqueles momentos que serão sempre recordados com enorme vergonha.



Gilmar Mendes não é somente um indivíduo; ele é um importante ator das classes dominantes que atua na arena política e, por isso, é a expressão da natureza podre desta burguesia que condena o Brasil ao atraso para preservar o poder a qualquer custo, como mantendo um governo de ladrões – uma cleptocracia, como já definiram os gregos.

Gilmar é um importante centro de distribuição de patifarias contra a democracia e o Estado de Direito.



Jeferson Miola Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

sábado, 10 de junho de 2017

CRONOLOGIA DE SLOGANS COXINHAS


De certa forma o “Minha Bandeira não será Vermelha” tem um certo charme se considerarmos que o anticomunismo costuma ser daltônico, mas a sequência cronológica da chamada dos conservadores revela uma enorme falta de prática política além de enorme mal gosto acompanhado de erros contumazes. Senão, vejamos:


Primeiro o brado era “Não Vai ter Copa”, numa antipatriótica manifestação de boicote a um evento internacional e à imagem do Brasil. Mas, teve Copa e, excluindo-se nossa tristeza futebolística contra a Alemanha, o evento foi um sucesso.


Depois das eleições democráticas de 2014 e da quarta derrota seguida eles lançaram o “A Culpa não é minha, eu votei no Aécio”. Atualmente alguns vultos são vistos retirando fotos ao lado do senador derrotado por Dilma Rousseff e envergonhados por sua confissão de babaquice.


Em seguida ouviu-se um primor de ingenuidade, “Primeiro a gente tira a Dilma, depois tira o resto”, como se realmente tivessem algum poder além daquilo que a mídia lhes permitia crer.


Nos momentos mais quentes do golpe, quando era mais evidente que todo o movimento começara porque a presidente se recusara a inocentar o Presidente da Câmera, houve o lançamento do “Somos Todos Cunha”, uma peça que ficará marcada para sempre no anedotário nacional.


Demonstrando poderes de clarividência, nos dias finais do golpe ouviu-se o “Tchau Querida”, acredita-se que em referência ao que aconteceria com suas aposentadorias.


Inaugurando o novo momento e inspirados em seu presidente os coxinhas largaram o “Não pense em crise, trabalhe” que lembra um pouco o “ame-o ou deixe-o do golpe anterior e o meigo “bela, recatada e do lar” que não merece comentários.


Mas, com seu castelo de areia desmoronando todos os dias já que a verdade em sua teimosia sempre aparece, o jeito foi apelar para o “Cunha na Cadeia”, ele mesmo, aquele do “Somos todos Cunha”. Nunca, na história desse país, foi pedida a cabeça de um ídolo de forma tão ligeira. Um verdadeiro Recorde.


Meio sem jeito também se ouviu o “Não tenho bandido de estimação” que deve ser algum tipo de desculpas pelo “Cunha é corrupto, mas é nosso”.


Tipo o mito das meninas da beira de cais (com todo respeito as meninas) os coxinhas mudavam de senhor e um novo veio ocupar espaço no “Somos Todos Moro” que deveria substituir o “Somos todos idiotas” que ficaria bem mais real para tudo o que estava acontecendo.


A cronologia dos gritos de guerra dos conservadores, de certa forma demonstra, por si só, o conjunto de erros de avaliação de seu movimento e de seus objetivos, além, claro, de seus líderes.


Boa parcela da população lembrará um dia sua participação no golpe de 2016. Os cânticos e chamadas farão parte dessa memória e cada um poderá julgar de que lado estava e qual era seu papel.


O bater de panelas e os slogans caricatos entrarão para a história brasileira como um dos momentos mais bizarros que um povo manipulado já foi capaz de criar.


Que o digam os paraguaios com o seu “não somos brasileiros”.



Prof. Péricles

quinta-feira, 8 de junho de 2017

NOVO TIPO DE TERRORISMO



Sofrendo com a falta de chuvas e ventos fortes, incêndios provocaram a retirada de mais de 80 mil pessoas que vivem na cidade litorânea de Haifa, no norte de Israel, que tem 280 mil habitantes, entre judeus e árabes. Em 2010, a cidade já havia enfrentado um incêndio que resultou em 44 mortes.

Cidades perto de Jerusalém e comunidades na Cisjordânia também tiveram de ser evacuadas afetadas por focos de incêndios e muita fumaça.

Ao anunciar neste domingo que os incêndios estavam sob controle, o porta-voz da polícia Micky Rosenfeld destacou que os aviões continuam jogando água em áreas como a de Haifa, a terceira maior cidade do país, em um trabalho de prevenção. Cerca de 1,6 mil apartamentos e casas ficaram totalmente danificados sendo que 500 deles inabilitados para moradia.

Os estragos na cidade estão estimados em 120 milhões de dólares. Segundo informações da agência France-Presse (AFP), foram destruídas mais de 13 mil hectares de florestas no país e detidas 23 pessoas suspeitas de terem provocado os incêndios.

Em reportagem, a agência de notícias espanhola EFE divulgou que autoridades israelenses consideram que muitos dos fogos foram provocados e que o primeiro-ministro israelense, Benjamim Netanyahu, falou sobre uma onda de terrorismo incendiário. Seria um novo tipo de terrorismo que Israel enfrenta, declarou o ministro de segurança pública, Gilad Erdan.

Uma situação preocupante não só para Israel, caso as suspeitas se confirmem, mas em relação a qualquer outro país do planeta.

No Brasil, onde as facções criminosas e as milícias interagem com ilícitos pesados, desde a comercialização de drogas, armas e serviços até roubos de cargas e assassinatos, comandando as operações de dentro das cadeias em um arrogante desafio às forças policiais, alguém já parou para pensar se, por exemplo, nossa floresta da Tijuca, no miolo do Rio de Janeiro, uma das maiores florestas urbanas do país, com 4.200 hectares, vir a ser incendiada pela bandidagem? Ou virar alvo de atos de sabotagem de cidadãos indignados ou revoltados pelas centenas de mazelas públicas que são condenados a suportar no seu humilhante dia a dia?

Em um mundo globalizado de ditadura digital, com a mídia informativa jorrando notícias continuadamente e as redes sociais temperando as informações, sempre com muito sal, os fatos acabam sendo engolidos pelas versões. Sejam em relação ao estado de Israel, a outros países, povos, religiões etc.

As redes opinam, sugerem, reciclam, distorcem, amplificam e redesenham os ângulos das questões de acordo com o perfil ideológico dos indivíduos e os preconceitos inerentes à formação de cada um. Uma miscelânea que muda o conceito original de massa, que de acordo com o dicionário Aurélio consiste em um “número considerável de pessoas que mantêm entre si uma certa coesão de caráter social, cultural, econômico”.

Mas, no mundo virtual, independente de aspectos sociais, culturais e econômicos que podem ser díspares, o preconceito e a intolerância têm o poder nefasto de juntar as pessoas. Muito mais do que separá-las. Percebe-se que inúmeras vezes o fato real que ensejou a notícia perde-se em labirintos de interpretações ou fica em segundo plano, emergindo em contraponto, de forma intencional, um dado correlato posto a serviço da neutralização ou negação do fato real veiculado.

Nos incêndios ocorridos em Israel a maior vítima foi a sua população em todos os seus segmentos.

Sabe-se que motivações de qualquer espécie não justificam atos de violência e vandalismo, e que nas proporções que afetaram o país configuram-se reais ações de terrorismo.

Logo, existindo culpados, a eles a lei deve ser aplicada.




Por Sheila Sacks, jornalista.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

PATOS PANELEIROS E OS PATOS MAIS ESPERTOS


Por Kiko Nogueira


Os patos que foram às ruas contra a corrupção foram enganados por outros patos espertos bancados por Joesley Batista.

O publicitário Elsinho Mouco, marqueteiro de Temer, acusado de abocanhar R$3 milhões em propina da JBS, falou do papel do empresário no golpe.

Joesley, segundo o Estadão, “se ofereceu para pagar por um serviço de monitoramento de redes sociais que nortearia a estratégia do PMDB de blindagem a Temer. Na ocasião, foi incisivo: ‘Vamos derrubar essa mulher’”.

A relação deles, que começou em 2009, continuou até janeiro de 2017.

Diz a reportagem:

Era uma quarta-feira no começo de maio do ano passado, quando Elsinho recebeu um convite de Joesley para uma visita. “Ele era um player, o maior produtor de proteína animal do mundo. Era objeto de desejo de todo mundo. Cheguei com duas horas de antecedência para não correr o risco de ficar parado no trânsito”, contou o marqueteiro.

Seu objetivo era conquistar a conta publicitária de pelo menos uma das inúmeras empresas do grupo, mas a conversa enveredou por outro caminho. “Para minha surpresa, ele chamou Dilma de ingrata, grossa e incompetente. E disse: ‘Temos que tirá-la’”, lembrou.

A surpresa se deve pelo fato da JBS sempre ter mantido boas relações com os governos do PT. Apesar do crescimento do movimento pelo impeachment entre empresários, os Batistas nunca criticaram Dilma publicamente.

Entre goles de whisky e mordidas de camarão no espeto, Joesley teria dito que gostaria de ajudar de alguma forma o movimento das ruas. “Em 2016, empresários, sindicatos patronais, movimentos sociais (MBL, Vem Pra Rua, Endireita Brasil etc.), muita gente queria o impeachment da Dilma. Uns contrataram carro de som, outros contrataram bandanas, pagaram por bandeiras, assessoria de imprensa. Teve gente que comprou camisa da seleção brasileira e foi pra rua. O Joesley estava nessa lista. Ele se ofereceu para custear o monitoramento digital nesta fase”, contou o marqueteiro.

O dinheiro teria sido colocado em uma pasta e deixado no carro do publicitário. Quanto questionou a melhor forma de emitir nota, o empresário teria desconversado. Disse que não queria deixar digitais no impeachment e o assunto ficou para depois.

Quantos outros bandidos fizeram o serviço sujo e saíram sem deixar as digitais?

Milhões de coxinhas que seguiram os trios elétricos de MBL, Vem Pra Rua e quejandos estavam na festa do Joesley – que colocaria no poder o amigo que ele frequentava no Jaburu.

A cada dia que passa, um bocó olha para a panela que bateu contra a roubalheira e pensa no que fará com ela. As sugestões são muitas.

Nenhuma delas é preparar camarão gigante.



domingo, 4 de junho de 2017

O PORQUÊ DAS DIRETAS JÁ


Por Leonardo Boff


Todos reconhecem que estamos mergulhados numa profunda crise, das mais graves de nossa história, porque recobre todos os âmbitos da vida social e particular.



Ninguém hoje pode dizer o que será o Brasil nos próximos meses. Por isso não é verdadeira a afirmação de que as instituições estão funcionando. Se funcionassem não haveria crise. Elas funcionam para alguns e para outros são completamente disfuncionais, especialmente, para a grande maioria do povo, vítima de reformas sociais que vão contra seus anelos mais profundos e, pior, que implicam a retirada de direitos e de conquistas históricas, como previstas nas reformas trabalhista e previdenciária.


O fato é agravado pela ilegitimidade do Presidente, cuja legalidade é discutida e para muitos, consequência de um golpe parlamentar por trás do qual se ocultam, como em outras ocasiões, as oligarquias econômicas e os endinheirados rentistas que controlam grande parte da economia nacional e que veem ameaçada a sua acumulação perversa.

Ninguém pode negar que estamos mergulhados num caos político que se revela pelo esgarçamento dos limites dos três poderes da república, um invadindo a esfera do outro.



Os procuradores, os juízes e as forças policiais que operam a Lava Jato passam por cima de preceitos constitucionais, alguns sagrados em todas as tradições jurídicas desde o tempo do Código de Hamurabi (1772 a.C) que é a presunção de inocência.



As investigações da Lava Jato e as delações premiadas puseram à luz do dia o que grassava há dezenas de anos: a rede de corrupção que tomou conta do Estado, das grandes corporações e dos parlamentares, em sua maioria eleitos pelas grandes empresas, representando mais os interesses delas e menos os do povo.


Chegamos a um ponto crítico que temos à frente do poder executivo um Presidente acusado de corrupção, cercado de ministros, em grande parte denunciados e corruptos. Tanto o parlamento quanto o Presidente perderam totalmente a credibilidade que se revela pelos baixíssimos índices de aprovação popular.


O Presidente não mostra nenhuma grandeza, vítima da própria mediocridade e ilimitada vaidade. Aferra-se ao poder, sabendo da desgraça que isso representa para o povo e a desmoralização completa da atividade política. Caso renuncie ou perca o cargo no processo no TSE, invoca-se o artigo 81 da Constituição – que não é cláusula pétrea como querem alguns – que prevê a eleição indireta do Presidente pelo Congresso.

Das ruas e de todos os estratos vem a grita: que legitimidade possui um congresso, quando grande parte dele é constituída por denunciados por crimes de corrução?



Cresce dia a dia o reclamo por eleições diretas já, não só do Presidente mas também de todos os parlamentares.


Quando vigora um caos politico e sem lideranças com capacidade de mostrar uma direção, a solução mais sensata é voltar ao primeiro artigo da constituição que reza:”todo poder emana do povo”. Ele constitui o sujeito legítimo do poder político, o detentor da verdadeira soberania. Todos os eleitos são representantes legitimados por este poder.


Ora, nós estamos diante da quebra da unidade e da coesão social. Não há mais nada que nos una, nem nos partidos, nem na sociedade. Tudo pode ocorrer como uma explosão social violenta, não excluída uma intervenção militar, já ensaiada nas manifestações populares de Brasília no dia 25 de maio.


Quando ocorre tal caos social, é a soberania popular que deve ser invocada e fazer-se valer.



Nossa constituição está coberta de band-aids, tantas foram as emendas que equivalem quase a metade de seu texto. Uma nova emenda constitucional está sendo preparada que prevê a antecipação das eleições gerais ainda para este ano. Estas não poderiam ser apenas do Presidente, mas de todos os representantes políticos.


Que autoridade teria um Presidente, eleito indiretamente, ou mesmo, diretamente, mantido o atual Parlamento, eivado de má vontade e desmoralizado pelas acusações de corrupção?



Junto a esta eleição direta, viria uma reforma política mínima que introduzisse a cláusula de barreira partidária e regulasse as coligações para evitar um presidencialismo de coalizão que favoreceu a lógica das negociatas e da corrupção e por isso não é mais recomendável.



Esse caminho seria o mais viável e precisamos apoiá-lo.



sábado, 3 de junho de 2017

ESCOLHAS, LIBERDADE E DESTINO



Muitas decisões são tão difíceis que a pessoa gostaria de não ter que toma-las. Porém, viver, de certa forma, é fazer opções assim como ninguém é realmente livre se não puder fazer escolhas.

Veja o caso do pobre Páris e de Aquiles, por exemplo.

Páris era um belo jovem da cidade de Tróia que um dia foi colocado na mais difícil situação que alguém poderia supor: foi convocado por três deusas, terríveis, vaidosas e vingativas, Hera (esposa de Zeus), Atena (deusa da sabedoria) e Afrodite (deusa do amor) a escolher na posição de juiz, qual das três era a mais bela.

As três eram lindas trapaceiras que, tentaram comprar seu voto.

Hera lhe prometeu um império e poder político. Atena lhe prometeu torna-lo o mais sábio entre todos os homens e Afrodite prometeu compensa-lo com a mulher mais bela entre as mortais.

Assim, Páris se viu na maior encrenca do mundo, escolher uma entre as três deusas como a mais bela do Olimpo e, ao mesmo tempo tendo que decidir entre o poder, a sabedoria e o amor.

O que você escolheria?

Bem, Páris escolheu meio que no impulso (Afrodite deixou cair sua roupa ficando nua e mostrando o corpo feminino mais belo que alguém poderia sonhar no dia da decisão) pela deusa do amor.

Cumprindo sua promessa, Afrodite apontou uma mulher chamada Helena, como a mais bela das mortais. Probleminha: Helena era casada com Menelau, rei dos Espartanos. Mas, promessa de deusa, é promessa de deusa e Afrodite inspirou o mais audacioso sequestro e dessa forma, Páris partiu de volta para Tróia levando em seu barco a formosa Helena.

Menelau não teve espírito esportivo. Bem pelo contrário. Indignou-se pela afronta e declarou guerra à Tróia no que foi acompanhado por praticamente todas as outras polis gregas.

Assim começava a Guerra de Tróia que, segundo Homero, duraria 10 anos, com a cidade troiana cercada, mas lutando bravamente sem jamais se render.

Só depois de muito sangue, suor e lágrimas, depois de bravuras e mortes de grandes heróis, os Gregos de Menelau conquistariam Tróia, pondo fim à Guerra.

Outro que teve uma séria decisão pela frente foi o herói grego Aquiles. Foi intimado a escolher entre a vida longa e comum, ou a vida de herói com morte prematura. Aquiles escolheu a vida curta, mas gloriosa.

Páris e Aquiles fizeram suas escolhas, e nenhum deles acabou assistindo o final da guerra.

Aquiles foi morto por Páris que usou uma flecha envenenada para atingir seu calcanhar (único ponto fraco do herói), mas o próprio Páris seria morto em batalha por Filoctetes, guardião das flechas de Hércules, outro herói grego.

E assim vivemos todos, decidindo todos os dias os rumos de nossas vidas. Aparentemente sem pressão das deusas, mas, verdadeiramente rumando nossa vida ao destino que nós mesmos escolhemos.

Se as escolhas se mostram erradas, a culpa não é de terceiros.

Muito embora todos nós tenhamos nosso calcanhar de Aquiles, a verdadeira liberdade consiste em sermos os artífices do nosso próprio destino.





Prof. Péricles

sexta-feira, 2 de junho de 2017

ESQUERDA CAPITULAÇÃO E ISOLAMENTO


Por Emir Sader


A necessária busca das razões do golpe não pode, em primeiro lugar, deixar de lado, antes de tudo, os motivos pelos quais, contra muitas evidências, esse período foi possível e representou avanços fundamentais para o povo brasileiro e para o país.

Sem esta referência, se subestimará tudo o que se viveu, não se aprenderá com as experiências, especialmente em relação aos avanços, e se deixará passar a visão de que no fundo tudo foi um fracasso e se trataria de buscar as razões e os responsáveis por isso.

Como o golpe se deu pela reversão do papel do PMDB. O mais fácil é fazer repousar nas políticas de aliança as responsabilidades pela derrota. Estender o diagnóstico para todo o período.

Como se o problema fosse ter feito alianças com o PMDB. Desemboca numa visão pobre de todo o processo, redutiva das políticas de aliança. Todas representariam conciliação de classe. Desembocando no caminho seguro da derrota, do isolamento da esquerda.

O problema, teórico e político, é que essas visões não enfocam todo o período. Como um processo de construção de hegemonia da esquerda. Lula. Como sua intuição política, tem uma visão muito superior a essas concepções reducionistas. Ele pergunta sempre aos interlocutores: ganhamos e tínhamos 100 parlamentares. Não se governa sem maioria. Como queriam que fizéssemos?

A genialidade de Lula foi construir um projeto hegemônico da esquerda partindo da sua eleição. Mas com uma esquerda minoritária no Congresso. Lula entendeu, empiricamente. Que o problema de toda aliança é saber quem detém a hegemonia. Foi a aliança com o PMDB que tornou possível realizar o sonho de sempre do PT. A prioridade do social. Além de colocar em prática uma política externa soberana. Resgatar o papel ativo do Estado.

Disputar o PMDB era disputar maioria.

Quando o PMDB estava com o FHC. A esquerda ficou isolada. O prestígio do Lula e do seu programa para o Brasil permitiu conquistar setores de outros partidos que se somaram. E deram a maioria necessária para um governo de esquerda.

Ter conquistado naquele momento essas forças para um arco de alianças hegemonizado pela esquerda. Pelo programa antineoliberal, foi uma conquista, uma condição do governo mais importante, até aqui, da história do Brasil.

Toda aliança implica em concessões, de parte a parte. A questão essencial é quem detém a hegemonia. Na aliança com FHC, o PMDB deu maioria para um programa neoliberal. Na aliança com o PT, para um programa antineoliberal.

O problema passou a existir quando o PMDB mudou e aderiu a um programa frontalmente neoliberal, rompendo com o PT e aliando-se aos tucanos. Isolou a esquerda e deu o golpe da direita.

Qual a alternativa a alianças amplas, que dão um caráter nacional ao programa da esquerda? O isolamento, o “classe contra classe”, a derrota e, se for tentar governar em minoria, tornar-se força autoritária, que trata de impor a minoria sobre a maioria. Há vários exemplos catastróficos dessa via.

Quando perguntei uma vez a Lula qual o maior ensinamento que ele tirou da experiência de governo, ele me respondeu. “Que não se pode governar sem maioria, sem o apoio da maioria da população”.

O que ele fez com maestria, porque soube conquistar a grande maioria do povo. Saiu do governo com 84% de apoio. E, baseado nessa popularidade, construiu um bloco de forças políticas que deu sustentação ao seu governo.

Desqualificar toda política de alianças e, mais além, o marco da esquerda como “conciliação de classes” é se manter numa perspectiva pré-gramsciana. É não fazer as análises do ponto de vista fundamental. O da construção da hegemonia da esquerda.







Emir Sader é sociólogo e cientista político.